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Atualizado em sexta-feira, 21 de outubro de 2016 - 16h19

Temer tenta evitar perda de votos na PEC do Teto

Governo teme influência no Congresso e trabalha para garantir quórum
Temer passou tarde em ligações para parlamentares tentando garantir presença na semana que vem / Kim Kyung-Hoon/Reuters Temer passou tarde em ligações para parlamentares tentando garantir presença na semana que vem Kim Kyung-Hoon/Reuters

Apesar das negativas de que a prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha tenha efeitos sobre o governo, o Palácio do Planalto teme a influência no Congresso e trabalha para garantir o quórum e os votos para mais uma forte vitória na votação em segundo turno da PEC dos gastos, disse uma fonte palaciana.

 

“Em momentos assim confusos muitos parlamentares ‘mergulham’. Muitos preferem não sair dos Estados. O trabalho é para garantir o quórum”, disse a fonte.


Recém-chegado de uma semana no exterior, em viagem à Índia e ao Japão, o presidente Michel Temer passou a tarde em ligações para parlamentares tentando garantir a presença na semana que vem.


Nesta sexta-feira, Temer também manteve a agenda aberta, com exceção de um evento de comemoração do dia do Aviador, na manhã desta sexta-feira, para seguir em contatos com parlamentares.


Ainda de acordo com a fonte, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também se empenha em tentar garantir o quórum. Desta vez, será Maia que receberá os parlamentares da base aliada para um jantar em sua casa, na noite de segunda-feira, em mais uma tentativa de garantir a presença dos deputados na terça-feira.


O próprio Temer deve participar do encontro. Na semana passada, quando foi votado o primeiro turno da proposta, o presidente recebeu mais de 300 parlamentares para um jantar no Alvorada.


Na ocasião, o governo obteve 366 votos, mas teve mais de 20 traições na base. Em seguida, o Planalto anunciou que “discutiria a relação” com os deputados que votaram contra a PEC.


A intenção era chegar no segundo turno o mais próximo de 400 - número que representa os 12 partidos da base aliada - em uma demonstração de força, uma vez que o número de 366 já estava garantido e só tendia a aumentar.


Mas a preocupação agora é evitar que haja baixas no número inicial, por conta de um possível quórum menor. O governo teme que um número menor que 366 possa dar sinais ao mercado de uma perda de controle da base e a existência ainda de uma influência de Cunha sobre parlamentares.


Nas conversas por telefone, Temer repete os argumentos de que a aprovação é fundamental para retomada da confiança e do crescimento do país, segundo a fonte, e pede a garantia da presença em plenário na terça-feira.

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