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Atualizado em terça-feira, 18 de abril de 2017 - 22h35

Mônica Moura diz que mentiu sobre caixa 2 em 2010 para 'preservar' Dilma Rousseff

Marqueteira confessou ter recebido pagamentos da empreiteira Odebrecht
Mônica foi interrogada na ação penal em que é ré ao lado do marido João Santana (ao fundo) / Rodolfo Buhrer/Reuters Mônica foi interrogada na ação penal em que é ré ao lado do marido João Santana (ao fundo) Rodolfo Buhrer/Reuters

A marqueteira da campanha de Dilma Rousseff em 2010 Mônica Moura confessou ao juiz Sérgio Moro nesta terça-feira (18) ter recebido valores da Odebrecht em contas no exterior - dinheiro referente a caixa dois da campanha presidencial, segundo ela.

 

Questionada pelo juiz federal Sérgio Moro sobre o motivo que a levou a não confirmar a informação há um ano, em interrogatório, Monica alegou que "mentiu para preservar" a petista que ainda exercia o cargo de presidente.

 

A marqueteira foi interrogada por Moro na ação penal em que ela é ré ao lado do marido, o publicitário João Santana, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o empreiteiro Marcelo Odebrecht.

 

Ela admitiu que naquele primeiro encontro com o juiz Moro omitiu o recebimento de caixa dois da Odebrecht com o uso de contas no exterior referente à campanha presidencial de 2010. Agiu assim, disse, para "preservar" Dilma.

 

Mônica confessou ter recebido pagamentos da empreiteira "dentro e fora do país", relativos às campanhas de 2006, 2010, 2012 e 2014.

 

De acordo com a marqueteira das campanhas do PT, os valores eram combinados, até 2010, com Palocci. A partir de 2014, a tarefa passou a ser atribuída ao ex-ministro Guido Mantega. A operacionalização dos repasses, segundo Monica, era tratada com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado na Lava Jato, e os repasses eram "sempre" pagos pela Odebrecht.

 

"Depois que eu acertava o valor com o Palocci, em 2006, 2010 e 2012, ele dizia que a Odebrecht pagaria uma parte. A Odebrecht sempre queria pagar tudo no exterior. O Hilberto (Mascarenhas, executivo do 'departamento de propinas' da empreiteira) dizia que para eles era mais seguro (o pagamento no exterior), que não queriam no Brasil. Então, eu determinava com a Odebrecht que parte da campanha do Brasil iria para lá e parte aqui", afirmou.

 

Ao fim do interrogatório, Moro alertou Mônica que a versão dos fatos apresentada agora por ela sobre os pagamentos para as campanhas presidenciais era diferente daquela contada um ano atrás - à época, ela negava ter recebido os valores da Odebrecht no exterior.

 

Nesta terça, a marqueteira alegou a Moro que a "situação era diferente"."Nessa época, há um ano e pouco, quando a gente foi preso, a gente queria preservar a presidente Dilma, que já estava num momento complicado. O País estava. Não queria dizer que tinha recebido dinheiro de campanha dela em 2010, não queria falar desses recebimentos. A gente falou que foi tudo no exterior, mas enfim, era outro momento, doutor, outra história".


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