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Atualizado em quinta-feira, 20 de abril de 2017 - 19h40

Ex-presidente da OAS: Lula me orientou a destruir provas

Léo Pinheiro foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro nesta quinta-feira
Lula é acusado de receber propina da OAS / Leonardo Benassatto/Reuters Lula é acusado de receber propina da OAS Leonardo Benassatto/Reuters

O ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o orientou a destruir provas durante o andamento da Operação Lava Jato.

O empresário foi interrogado nesta quinta-feira (20) pelo juiz Sérgio Moro por pelo menos três horas em um processo que investiga se a empreiteira beneficiou o petista com a compra e a reforma de um apartamento triplex no Guarujá, no litoral paulista.

Segundo o ex-presidente da OAS, o pedido teria sido feito em maio de 2014, dois meses após o início da Lava Jato. Ele não disse, porém, se seguiu a suposta ordem do petista.

Léo Pinheiro ainda confirmou que o imóvel é parte de um total de R$ 3,7 milhões pagos em propina a Lula em três contratos da OAS com a Petrobras.

Histórico do caso


A Polícia Federal e a Procuradoria da República sustentam que o ex-presidente recebeu propinas da OAS no montante de R$ 3,7 milhões.

Uma parte do dinheiro teria sido investido em obras no apartamento do Condomínio Solaris, no Guarujá. Outra parte, segundo a acusação, no montante de R$ 1 milhão, foi usada para armazenamento de pertences que Lula ganhou quando na Presidência.

A defesa do petista afirma não ser dele o triplex. Na quarta-feira (19), os advogados de Lula exibiram à imprensa documentos da recuperação judicial da empreiteira que incluiu em seus ativos o apartamento do Guarujá.

Léo Pinheiro foi preso em novembro de 2014 na Operação Juízo Final, etapa da Lava Jato que mirou o cartel de empreiteiras que se instalaram na Petrobras para fraudes, desvios bilionários e propinas.

Em 2015, Pinheiro ganhou prisão domiciliar com tornozeleira. Mas, condenado a 16 anos de prisão por Moro, voltou à cadeia em setembro de 2016. Dois meses depois, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) elevou para 26 anos a pena imposta ao empreiteiro.

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