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Atualizado em quinta-feira, 18 de maio de 2017 - 17h17

Centrais sindicais pedem eleições diretas

Nota questiona legitimidade de Michel Temer enquanto presidente
Além de Paulinho da Força, a nota da Força Sindical foi assinada por outros quatro dirigentes sindicais / Valter Campanato Além de Paulinho da Força, a nota da Força Sindical foi assinada por outros quatro dirigentes sindicais Valter Campanato

A Força Sindical, associação trabalhista presidida pelo deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), divulgou nesta quinta-feira, junto com outras centrais sindicais, uma nota defendendo a antecipação de eleições gerais diretas para o Governo Federal e o Congresso Nacional.

O documento foi apresentado um dia depois de serem divulgadas informações da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, a qual implica o presidente Michel Temer (PMDB), que teria dado aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que teria pedido para o empresário R$ 2 milhões para a sua defesa na operação.

Paulinho da Força é presidente nacional do Solidariedade, partido da base aliada de Temer. Ele foi um dos parlamentares que mais atuou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Contra as reformas


A central sindical defende que o governo de Michel Temer não tem legitimidade.

"O permanente esgarçamento das instituições republicanas, ocasionado pelas denúncias e acusações de corrupção, nos leva a considerar que falta legitimidade política e social ao governo para, num momento de grave crise institucional, política, econômica e social como a que estamos vivenciando, querer jogar sobre as costas dos trabalhadores e da parcela mais humilde da sociedade o custo do ajuste econômico representado pelas propostas de reformas trabalhista e previdenciária que tramitam no Congresso", consta na nota divulgada no portal da Força Sindical.

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Além de Paulinho da Força, a nota da entidade é assinada pelos dirigentes sindicais, Antonio Neto (Central dos Sindicatos Brasileiros), Adilson Araújo (Central dos Trabalhadores Brasileiros), José Calixto (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e Ricardo Patah (União Geral dos Trabalhadores).

 

Veja a nota na íntegra:

 

"NOTA OFICIAL DAS CENTRAIS - POR ELEIÇÕES DEMOCRÁTICAS E CONTRA AS PROPOSTAS DE REFORMAS TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA

 

Diante do aprofundamento da crise política após as graves revelações contidas nas delações envolvendo o presidente Temer e outros políticos de expressão nacional, as Centrais Sindicais alinham-se à cidadania democrática para exigir a apuração rigorosa de todas as denúncias de corrupção e desmandos que vêm paralisando o País, criando insegurança e impactando negativamente a economia nacional, que se manifesta na forma da recessão e no crescente e alarmante índice de desemprego que assola milhões de famílias de trabalhadores.

 

Os trabalhadores exigem o estrito cumprimento do rito constitucional e a revalorização do estado de direito como a via para a devida apuração destas e das demais denúncias e acusações que, cada dia mais, pesam sobre o mundo da política e da administração pública. Desta forma, recusamos e combateremos qualquer iniciativa de promover medidas que afrontem nossa Constituição democrática e cidadã como alternativa à grave crise política à qual o País vem sendo submetido.

 

O permanente esgarçamento das instituições republicanas, ocasionado pelas denúncias e acusações de corrupção, nos leva a considerar que falta legitimidade política e social ao governo para, num momento de grave crise institucional, política, econômica e social como a que estamos vivenciando, querer jogar sobre as costas dos trabalhadores e da parcela mais humilde da sociedade o custo do ajuste econômico representado pelas propostas de reformas trabalhista e previdenciária que tramitam no Congresso Nacional, às quais exigimos que sejam imediatamente retiradas da pauta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. É importante que este debate sobre as propostas de reformas aconteça de forma ampla, envolvendo as representações dos trabalhadores e a sociedade civil.

 

Qualquer solução democrática para a crise política e econômica nesta conjuntura passa pela construção de um amplo e democrático acordo nacional visando à defesa de nossa democracia e à construção de um novo projeto de desenvolvimento nacional, tarefa que deve mobilizar a sociedade civil e suas mais importantes representações, os partidos políticos, as centrais sindicais e as demais organizações dos trabalhadores e representações patronais. Passa, ainda, pela reconstrução da legitimidade das instituições políticas da República, o que, no caso do Governo Federal e do Congresso Nacional, passa por realizar, no mais curto espaço de tempo exigido pela Constituição, eleições gerais e democráticas.

 

No dia 24 próximo as Centrais Sindicais estarão em Brasília, com a Marcha Nacional dos Trabalhadores, reafirmando  todo o nosso repúdio às propostas de reformas trabalhista e previdenciária e, ao mesmo tempo, buscando soluções democráticas para o atual momento político pelo qual o País atravessa.

 

Antonio Neto

Presidente da CSB - Central dos Sindicatos Brasileiros

 

Adílson Araújo

Presidente da CTB - Central dos Trabalhadores Brasileiros

 

Paulo Pereira da Silva - Paulinho da Força

Presidente da Força Sindical

 

José Calixto

Presidente da NCST - Nova Central Sindical dos Trabalhadores

 

Ricardo Patah

UGT - União Geral de Trabalhadores"

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