Tamanho de fonte
Atualizado em quinta-feira, 18 de maio de 2017 - 20h06

Crise impede votação de reformas, dizem relatores

'Não há espaço para avançar na Reforma da Previdência', diz Arthur Maia; 'Reforma Trabalhista se tornou secundária', afirma Ricardo Ferraço
Arthur Maia, relator da Reforma da Previdência na Câmara, e Ricardo Ferraço, relator da Reforma Trabalhista no Senado Federal / Marcelo Camargo/Agência Brasil Arthur Maia, relator da Reforma da Previdência na Câmara, e Ricardo Ferraço, relator da Reforma Trabalhista no Senado Federal Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) repercutiu na agenda do governo para as reformas da Previdência e Trabalhista.

 

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, chamada PEC da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), disse nesta quinta-feira (18), por meio de nota, que “não há espaço” para avançar no tema.

 

Em tramitação na Câmara, o governo estava articulando para conseguir os 308 votos necessários para votá-la no final de maio ou o início de junho.

 

Na nota, Arthur Maia disse que, desde ontem, após vazamento da delação premiada dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, “passamos a viver um cenário crítico, de incertezas”.

 

Segundo ele, “certamente, não há espaço para avançarmos com a Reforma da Previdência no Congresso Nacional nessas circunstâncias”, disse. “É hora de arrumar a casa, esclarecer os fatos obscuros, responder com verdade a todas as dúvidas do povo brasileiro, punindo quem quer que seja, mostrando que vivemos em um país em que a lei vale para todos”, concluiu o relator.

 

Ouça o áudio da conversa de Joesley Batista com o presidente Temer

 

Mais cedo, o relator da Reforma Trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), também disse que não há mais clima para a votação do projeto. Na nota, Ferraço afirmou que a crise institucional é tão grave que a reforma se tornou “secundária”.

 

Ferraço, que é o relator da Reforma trabalhista nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, previa a votação do texto no plenário da Casa entre os dias 12 e 15 de junho.

 

“Na condição de relator do projeto, anuncio que o calendário de discussões anunciado está suspenso. Não há como desconhecer um tema complexo como o trazido pela crise institucional. Todo o resto agora é secundário”, diz a nota.

 

Para Ferraço, é necessário priorizar uma solução para a crise, para só depois debater as reformas propostas pelo governo.

 

Nesta quinta, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. A medida foi tomada a partir de depoimentos de delação premiada dos donos do grupo JBS. Em pronunciamento em rede nacional, o presidente da Republica disse que não renunciará.

 

Segundo reportagem do jornal O Globo, que antecipou o conteúdo dos depoimentos, Temer teria sugerido, em encontro gravado em áudio por Joesley, que se mantivesse o pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio.


Leia também: 
Fotos mostram mala de dinheiro dada a intermediário de Temer
Ritual contra Temer intriga internautas
Aécio anuncia licença da presidência do PSDB
Em conversa com Joesley, Aécio diz que Temer 'amarela'