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Atualizado em quinta-feira, 18 de maio de 2017 - 23h08

Manifestantes protestam pelo País e pedem a saída de Michel Temer do governo

No Rio de Janeiro, houve confronto com a polícia em ato na Cinelândia
Protesto contra o presidente Temer na Avenida Paulista, em São Paulo / Paulo Whitaker/Reuters Protesto contra o presidente Temer na Avenida Paulista, em São Paulo Paulo Whitaker/Reuters

Em várias capitais brasileiras, manifestantes protestaram na noite desta quinta-feira (18) contra a corrupção e pediram a saída do presidente Michel Temer e novas eleições diretas. Os atos ocorreram após a divulgação pelo jornal O Globo de reportagem sobre a delação premiada do empresário Joesley Batista, dono da JBS.

 

De acordo com o jornal, em um encontro com o empresário, Temer deu aval para que Joesley continuasse a pagar uma espécie de mesada pelo silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, preso na Lava Jato. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação de Batista e liberou o áudio da conversa entre o empresário e Temer.

 

Ouça o áudio da conversa de Joesley Batista com o presidente Temer

 

Em pronunciamento nesta tarde, o presidente Michel Temer disse que não renunciará e que não comprou o silêncio de ninguém. 

 

Rio de Janeiro

 

No Rio de Janeiro, a manifestação foi convocada pelas redes sociais por centrais sindicais e entidades estudantis. A concentração foi na Igreja da Candelária. 

 

O ato seguia pacífico e era acompanhado de longe por policiais militares quando, por volta de 20h, um grupo de jovens mascarados chegou em silêncio, usando placas de metal como escudo. Observados pela PM, eles começaram a incendiar lixo. Temendo que o grupo provocasse os policiais e iniciasse um tumulto, sindicalistas chegaram a convidar os mascarados para discursar, mas nenhum deles aceitou. 

 

Minutos depois, por volta das 20h15, o grupo começou a atirar pedras e rojões contra os policiais, que reagiram com bombas de gás. Teve início então o tumulto, que causou pânico e correria pelas ruas próximas.

 

O ato foi encerrado abruptamente e os confrontos se espalharam pela região central, como já havia ocorrido no dia 28 de abril, quando houve manifestação em função da greve geral convocada por centrais sindicais e pelo menos nove ônibus foram incendiados na Lapa, a poucos metros da Cinelândia. 

 

Nesta quinta-feira não houve ataques a ônibus, mas várias lojas sofreram tentativas de arrombamento, vidros de pelo menos cinco pontos de ônibus foram quebrados e três ruas da região (Rua da Lapa, do Passeio e Senador Dantas) foram interditadas pelos vândalos que incendiaram lixo e outros materiais.

 

O tumulto só amenizou por volta das 21h45, quando as ruas da região central foram tomadas por garis que tentavam limpar o lixo e os cacos de vidro espalhados durante a confusão.

 

Até as 22h30 desta quinta-feira não havia registros oficiais de presos nem feridos, mas a reportagem flagrou dois manifestantes com ferimentos. Ambos afirmaram ter sido atingidos - um na perna e outro na cabeça - por balas de borracha disparados pela polícia. Eles foram atendidos por médicos que prestavam atendimento voluntário.

 

Veja imagens dos atos em SP e RJ:

 

São Paulo

 

Manifestantes se reuniram em frente ao vão-livre do Masp, na Avenida Paulista, desde o fim da tarde de hoje. O grupo fechou a avenida no sentido Consolação por volta de 18h30. Participaram do ato diversos movimentos sociais, estudantis, sindicais e partidos políticos contra o governo Temer.

 

"Estamos aqui pedindo a saída de todos na verdade, não só do Temer, mas de todo o Congresso, de toda a corja que está roubando o país”, disse Manuela Mendes dos Santos, de 30 anos. Sobre uma possível sucessão presidencial, ela defendeu eleições diretas imediatas, afirmando que o povo deve decidir quem serão os governantes.

 

Em nota conjunta, as centrais sindicais pedem eleições gerais e democráticas, além da apuração das "graves revelações contidas nas delações envolvendo o presidente Temer e outros políticos de expressão nacional". Além disso, afirmam que falta legitimidade política e social ao atual governo para aprovação das reformas da Previdência e trabalhista e pedem que sejam retiradas imediatamente da pauta do Congresso Nacional.

 

"[Qualquer solução democrática para a crise política e econômica nesta conjuntura] Passa, ainda, pela reconstrução da legitimidade das instituições políticas da República, o que, no caso do governo federal e do Congresso Nacional, passa por realizar, no mais curto espaço de tempo exigido pela Constituição, eleições gerais e democráticas", diz a nota.

 

Brasília

Manifestantes vestido de Dilma em frente ao PlanaltoUeslei Marcelino/Reuters

 

Um grupo de manifestantes se concentrou na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto. As pessoas começaram a chegar por volta das 17h. A última estimativa oficial da Polícia Militar do Distrito Federal é de 400 pessoas.

 

Os manifestantes soltaram fogos e pediram a volta da ex-presidente Dilma Rousseff. A manifestação se manteve pacífica.

 

Desde ontem (17), quando o jornal O Globo divulgou que Temer teria concordado com a compra do silêncio de Eduardo Cunha, as pessoas começaram a se reunir na frente do Planalto. Muitos motoristas também passam em frente buzinando e pedindo a saída de Temer.

 

Recife

 

A concentração foi na Praça do Derby e seguiu pela Avenida Conde da Boa Vista, por volta de 18h, até a Avenida Guararapes. Muitos manifestantes estavam com placas “Eu quero votar”, “Fora, corruptos” e “Fora, Temer”. A organização do ato calculou 3 mil pessoas; já a Polícia Militar de Pernambuco não faz contagem de manifestantes.

 

O presidente estadual da Central Única dos Trabalhadorers (CUT), Carlos Veras, criticou a decisão de Temer de não renunciar. “Ele deveria ter pelo menos a decência de renunciar. E não é só Temer renunciar: é a renúncia, revogação imediata de todos os atos feitos pelo presidente ilegítimo, não às reformas que estão em curso e eleições diretas para Presidência da República".

 

A representante da União Brasileira de Mulheres (UBM) de Pernambuco, Laudijane Domingos, disse que as informações reveladas pela delação reforçam o pedido de saída do presidente da República. “A máscara caiu, a nuvem de fumaça saiu. O argumento de que o Brasil estava envolto em uma onda de corrupção e que isso era responsabilidade dos partidos de esquerda não é verdade”, afirmou.

 

Fortaleza

 

Os manifestantes se reuniram na Praça da Bandeira, no centro, e caminharam cerca de 2 quilômetros até o bairro Benfica. Muitos levavam faixas e cartazes ou vestiam camisetas com mensagens defendendo a convocação de eleições diretas.

 

"Temos que estar na rua em busca das eleições diretas, pois só assim o trabalhador vai conseguir esse marco. Não podemos permitir que a burguesia decida este momento e que o Congresso escolha um novo representante", disse o presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos de Fortaleza, Eriston Ferreira.


Belo Horizonte

manifestação BHLéo Rodrigues/Agência Brasil

 

As ruas do centro de Belo Horizonte foram tomadas por manifestantes favoráveis à saida de Michel Temer da presidência da República e à convocação de eleições diretas. A manifestação foi convocada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo, grupos que reúnem centrais sindicais, sindicatos, organizações estudantis e entidades dos movimentos sociais. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público, mas de acordo com a organização foram 50 mil pessoas.

 

A concentração começou às 17h, na Praça Sete. Os manifestantes circularam por avenidas do centro da cidade e seguiram para a Praca da Estação. Ao longo do trajeto, diversos moradores acenaram das varandas e janelas e jogaram papel picado em apoio.

 

"É incapaz de levar o governo adiante. O problema é que os setores conservadores irão se articular para fazer uma eleição indireta e colocar no poder alguém capaz de continuar com a agenda de retirada de direitos, através da reforma trabalhista e da Reforma da Previdência", disse Leonardo Péricles, líder da Frente Povo Sem Medo e do Movimento de Luta por Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

 

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Lopes, citou a prisão de Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, e disse que a detenção dela significou um dia de liberdade de imprensa em Minas Gerais, por mencionar a interferência dela nos meios de comunicação no estado.

 

"Durante os 12 anos de governos do PSDB, com Aécio e Anastasia, ela coordenou a comunicação e ficou conhecida como mãos de tesoura. Ela atuava para censurar a imprensa, perseguiu e exigiu de veículos a demissão de diversos jornalistas", disse. Conforme reportagem do O Globo, Aécio Neves pediu R$ 2 milhões ao empresário e a irmã dele teria participado da negociação.

 

Segundo os organizadores, o ato reuniu mais de 50 mil pessoas. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

 

Porto Alegre

 

No centro de Porto Alegre, um grupo se concentrou na Esquina Democrática, cruzamento entre a Avenida Borges de Medeiros e Rua dos Andradas, tradicional ponto de manifestações.

 

Segundo a polícia, mais de 20 mil pessoas estão participando do ato. No entanto, os organizadores dizem 25 mil. O grupo exibe faixas, além de bandeiras de partidos políticos e outros movimentos.

 

Goiânia

 

Em Goiânia, diversos manifestantes se reuniram na Avenida Anhanguera. De acordo com a organização, cerca de 300 pessoas participaram do ato, que foi encerrado às 18 horas.

 

Durante o ato, um casal de manifestantes foi atropelado por uma motorista que furou um bloqueio durante marcha. O caso ocorreu no cruzamento das avenidas Anhanguera e Goiás um ponto crítico do trânsito goianiense, pouco antes das 18 horas. 

 

Com o bloqueio do trânsito, a motorista tentou passar à força e acabou perseguida por manifestantes revoltados. Eles desferiram murros e chutes no veículo. Imagens de câmeras de segurança do local mostram que a mulher acelerou e acabou arrastando duas pessoas que estavam na frente do carro, tentando impedir a passagem. 

 

O casal foi arrastado por alguns metros. A jovem Andreza Carneiro, de 22 anos, ficou presa embaixo do veículo e sofreu várias escoriações. O marido dela, ainda não identificado, também saiu com escoriações. 

 

A motorista ainda deu ré, mas foi parada pela multidão de manifestantes. A mulher acabou presa e conduzida para a Central de Flagrantes da Polícia Civil. Ela teria alegado que não entendeu o que estava ocorrendo no local do bloqueio e apenas acelerou o veículo, onde seguia com um acompanhante. 

 

Os feridos receberam atendimento médico na rua. Os são ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que participou da manifestação convocada por centrais sindicais. O casal foi levado para o Hospital de Urgências de Goiânia e não corre risco de morte.

 

O cruzamento onde o atropelamento ocorreu é o mesmo onde o estudante Mateus Ferreira da Silva foi agredido por um policial militar na manifestação do dia 28 de abril. Na quarta-feira, 17, ele voltou a ser internado no Hugo para preenchimento dos ossos do rosto que foram fraturados pelo cassetete do PM.