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Atualizado em quinta-feira, 29 de novembro de 2012 - 11h57

Morre o jornalista Joelmir Beting

Ele tinha mais de 55 anos de carreira e era multimídia; atuava na TV, rádio, escrevia livros e mantinha um site
O jornalista Joelmir Betting morreu aos 75 anos / Divulgação/Band O jornalista Joelmir Betting morreu aos 75 anos Divulgação/Band

Morreu na madrugada desta quinta-feira, dia 29, o comentarista da Band, Joelmir Beting, aos 75 anos. Ele estava internado desde o dia 22 de outubro no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e, no domingo, sofreu um acidente vascular encefálico hemorrágico.

Veja a trajetória do jornalista

Palmeirense de coração, Joelmir atuava como comentarista de economia no Jornal da Band e na Rádio Bandeirantes. Ele também era um dos apresentadores do Canal Livre.



Perfil

Joelmir José Beting nasceu em Tambaú, interior de São Paulo, em 21 de dezembro de 1936, onde permaneceu até 1955. Neste período, chegou a trabalhar como boia-fria, aos sete anos de idade. Em 1957, Joelmir – encorajado pelo Padre Donizetti Tavares de Lima, a quem se referia como “guru espiritual e profissional” – começou a estudar sociologia na USP (Universidade de São Paulo) para “fazer carreira no jornalismo”.

No jornalismo, iniciou na editoria de esportes, ainda durante a faculdade de sociologia, em 1957. Trabalhou na cobertura de futebol nos jornais “O Esporte” e “Diário Popular” e também na rádio Panamericana, que posteriormente virou Jovem Pan.

 

Graças a Joelmir, uma das mais famosas expressões do futebol foi criada, o “gol de placa”. Na década de 1960, ele acompanhou uma partida entre Santos e Fluminense e viu Pelé marcar um belíssimo gol. De volta a São Paulo, ele instalou uma placa de bronze no Maracanã, por conta própria, para imortalizar aquele momento. Após isso, como ele mesmo contava, jornalistas e comentaristas esportivos diziam: “aquele gol merece uma placa, esse foi um gol de placa”.

 

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Por isso, ele dizia que não era o autor do gol de placa e, sim, da placa do gol. Cinquenta anos após o gol, Pelé devolveu a ele uma placa de acrílico: “Gratidão eterna ao Joelmir Beting. Gratidão eterna do autor do gol de placa ao autor da placa do gol. Edson Pelé”.


Economia

Em 1962, sociólogo formado, trocou o jornalismo esportivo pelo econômico. Inicialmente, como redator de estudos de viabilidade econômica para projetos desenvolvidos por uma consultoria de São Paulo.

Quatro anos depois, foi convidado a lançar uma editoria de Automóveis no caderno de classificados da "Folha de S.Paulo". Em 1968, Joelmir foi “premiado”, como ele mesmo afirmava, com o cargo de editor de economia do jornal. Em 7 de janeiro de 1970, lançou sua coluna diária, que foi publicada durante anos por uma centena de jornais brasileiros, com o timbre da Agência Estado.

Em 1991, o profissional iniciou nova fase no jornal “O Estado de S.Paulo”. Em texto publicado por Joelmir em seu site, ele descreveu a coluna como o pau-da-barraca profissional. "Com ela, desbravei o economês, vulgarizei a informação econômica, fui chamado nos meios acadêmicos enciumados de ‘Chacrinha da Economia’, virei patrono e paraninfo de 157 turmas de formandos em Economia, Administração, Engenharia, Agronomia, Direito”.

Multimídia

A coluna foi mantida até 30 de janeiro de 2004. No mesmo ano que ela foi lançada, em 1970, Joelmir também começou a passar informações diárias sobre economia nas rádios Bandeirantes, CBN, Jovem Pan e Gazeta. E também na TV Bandeirantes, Gazeta, Record e Globo, a partir de 1985 até julho de 2003.

Em março de 2004 voltou para a TV Bandeirantes, onde permaneceu até hoje como comentarista econômico nas rádios BandNews FM e Rádio Bandeirantes, e também do Jornal da Band, na TV. Também era um dos âncoras do programa de entrevistas Canal Livre.

Joelmir foi um jornalista multimídia. Escreveu os livros "Na Prática a Teoria é Outra" (1973) e "Os Juros Subversivos" (1985) e dezenas de ensaios para revistas semanais. Além disso, o jornalista foi conferencista no Brasil e no exterior. Realizava palestras em empresas, convenções, simpósios, congressos e seminários. Era onde se reencontrava, como ele dizia, com a profissão que pretendia seguir nos tempos da USP: o magistério.

Em seu site, ele se descrevia como uma pessoa que trabalhava e estudava 15 horas por dia, assim como na infância. Joelmir era casado com Lucila, desde 1963, e pai de dois filhos: Gianfranco, publicitário e webmaster, e Mauro, comentarista esportivo de jornal e televisão.

 

 

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