O último apaga a luz

Falcatruas de todo tipo que jogaram São Paulo, a terceira maior cidade do planeta, num buracão quase impagável

Bem, continua impossível andar de carro, ônibus, moto, até carroça – ou sei lá o quê –, sem cair num buraco. Já falei deles aqui várias vezes. Mas esta semana o jornalista e grande repórter (o melhor) Agostinho Teixeira, começou a desvendar o mistério do buraco profundo (ou mais embaixo).

Cabe até um palavrão para definir o bicho quando ele estoura seu pneu, arrebenta sua roda, estraga seu carro, seu dia. Uma das firmas que servem a prefeitura desde a era Kassab, passando pelo Haddad e já fazendo trabalho em janeiro na atual administração, uma tal Empave, promete um recapeamento de cinco centímetros, entrega só três e nem faz o serviço completo na rua. Também trabalha sem a fiscalização da prefeitura. Falei com o Doria, que prometeu conferir e, dependendo do resultado, descredenciar e multar os tais furões. Mas quantas outras empresas devem servir ou não o município sem fazer direito e ganhar milhões do seu dinheiro por isto?

Sem falar nos acidentes provocados pela buraqueira na cidade ao longo de tantos anos. Os buracos de rua são apenas um indicativo no rombo das contas públicas municipais, que vão de falcatruas de todo tipo que jogaram nossa cidade, a terceira maior do planeta, num buracão quase impagável. Aí não sobra mesmo para gastar com remédio para o povo, salários de servidores e por aí vai.

Fica cada vez mais difícil tentar acreditar em político. Aliás, eles estão também metidos na operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, a maior do país, na mais nojenta e vergonhosa corrupção para distribuir carne estragada pelos dois principais frigoríficos brasileiros e maiores do mundo. Embutidos feitos com carne podre e regados a produtos químicos para disfarçar o cheiro da vergonha. Quando Winston Churchill disse que o povo nem desconfiava como eram feitas as salsichas e a política, estava profeticamente se referindo ao Brasil de hoje. Por estas e outras estamos definitivamente num buraco sem tamanho, rumo a colisão moral. Salve-se quem puder.

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