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Atualizado em quarta-feira, 13 de setembro de 2017 - 16h49

Tratamento por raspagem pode melhorar saúde bucal

Estudo avalia pacientes portadores de diabetes e também com infecções que podem levar a mutilação dentária
Periodontite crônica: doença infecciosa que acomete os tecidos de proteção e suporte dos dentes / (Arquivo da pesquisadora) Periodontite crônica: doença infecciosa que acomete os tecidos de proteção e suporte dos dentes (Arquivo da pesquisadora)

Uma pesquisa científica realizada com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) está avaliando alguns parâmetros imunológicos e microbiológicos no sangue e saliva de pacientes portadores de diabetes do tipo 2 e, também, com periodontite crônica.

 

O objetivo principal do estudo é mostrar que o tratamento odontológico periodontal não cirúrgico – raspagem e alisamento radicular- pode ser capaz de promover, além da melhoria do quadro de saúde bucal dos participantes, a melhoria das condições de saúde sistêmicas outrora prejudicadas pelo diabetes e intensificadas, também pela periodontite.

 

De acordo com a pesquisadora principal do estudo, Priscilla Naiff, a periodontite é uma doença infecciosa e inflamatória, que acomete os tecidos de proteção e suporte dos dentes (gengiva e osso alveolar) e pode levar à mutilação dentária.

 

“Os dentes vão perdendo o osso que os sustentam e, frequentemente, há presença de intensa inflamação gengival associada. Com o decorrer do tempo, os dentes vão amolecendo até que necessitem ser extraídos. A causa primária é a infecção bacteriana associada a outros fatores como aos hábitos de má higiene bucal e a imunidade do indivíduo”, diz Priscilla.

 

O estudo está identificando algumas bactérias causadoras de periodontite na saliva e biofilme dentário, além da frequência de células da imunidade (leucócitos) e suas principais citocinas produzidas durante e após os processos inflamatórios relacionados a estas doenças, na saliva e sangue.

 

Doutoranda em Ciências da Saúde, com ênfase em Periodontia, pela Universidade de Brasília (UnB), Priscilla diz que se sabe que ambas as doenças possuem uma via de mão dupla e uma é capaz de interferir na outra, ou seja, o diabetes, caso o paciente esteja descompensado, é capaz de piorar os sinais e sintomas da periodontite e vice-versa.

 

“Acreditamos que será extremamente importante e válido inter-relacionarmos ambas as doenças e suas interferências mútuas, nos aspectos microbiológico e imunológico. Vale frisar que além do sangue, estamos avaliando alguns parâmetros na saliva, para comparação e, quem sabe, no futuro poder avaliar alguns biomarcadores neste fluido cuja coleta é bem menos invasiva que o sangue” contou.

 

O projeto faz parte da pesquisa de doutorado desenvolvido por Priscilla, no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB). Teve início em junho de 2015, com o início da seleção de voluntários triados na clínica de odontologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

 

Conforme a pesquisadora, Priscilla Naiff, o projeto beneficia, diretamente, todos os seus participantes, que passam por acompanhamento médico e odontológico, durante todo o período de vigência do estudo e, logo após a alta periodontal.

 

Indiretamente, ela conta que, o projeto pode ocasionar benefícios imensuráveis à comunidade científica e aos portadores dessas doenças, com a consolidação ou surgimento de novos conhecimentos na etipatologia e diagnóstico do diabetes e periodontite, dependendo dos resultados a serem obtidos.

 

“Espera-se  que o tratamento periodontal nos pacientes promova a melhora nos parâmetros clínicos da periodontite crônica bem como nos sinais e sintomas relacionados ao diabetes, devolvendo maior qualidade de vida a estes pacientes”, informou.


 

Priscilla ressaltou ainda que o uso da saliva como amostra biológica e da técnica de citometria de fluxo utilizando a saliva é inovadora e está sendo aprimorada pelo grupo de pesquisa. Espera-se, futuramente, mediante os resultados a serem obtidos, que a saliva possa, sempre que possível, substituir o sangue como amostra biológica, tornando a coleta mais simples e menos invasiva.