BandNews FM BH
Nativa FM 103,9
Tamanho de fonte
Atualizado em quinta-feira, 18 de maio de 2017 - 14h57

Temer é atingido por gravação de dono da JBS

Joesley Batista entrega ao STF áudios de conversas com presidente dando aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha. PF também faz imagens de entregas de dinheiro para ex-assessor do Planalto e para Aécio Neves

O presidente Michel Temer foi gravado no Palácio do Jaburu, em 7 de março, por Joesley Batista, dono do grupo JBS, dando aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba, e o doleiro Lúcio Funaro. O empresário usava um gravador no bolso e na conversa que durou 40 minutos revelou que pagava propina para mantê-los calados. As informações foram publicadas pelo jornal “O Globo”. “Tem que manter isso, viu?”, disse Temer, segundo a transcrição.

 

O Palácio do Planalto divulgou nota negando a acusação e defendendo as investigações.

 

Joesley, o irmão, Wesley Batista, e cinco diretores do grupo foram ontem ao gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), entregar as provas e selar um acordo de delação premiada. Eles já tinham prestado depoimento à PGR (Procuradoria Geral da República) em abril.

 

O pagamento do ‘cala a boca’ seria feito a Roberta, irmã de Funaro, flagrada em gravação recebendo R$ 400 mil; e para Altair Alves Pinto, ligado a Cunha. O ex-deputado também teria recebido R$ 5 milhões mesmo preso como pagamento de sobras de propina, que somariam R$ 20 milhões.


O homem de confiança

 

O empresário também pediu, no encontro, intervenção do presidente junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para evitar prejuízos à empresa em negócios na área de gás.

 

Temer, então, orientou Joesley a procurar o então assessor Rocha Loures, homem de confiança do presidente e hoje deputado, que fez a mediação e teria aceitado 5% de propina.

 

Num segundo encontro, ficaram combinados pagamentos de R$ 500 mil mensais por 20 anos pela JBS. O primeiro pagamento foi filmado pela Polícia Federal numa pizzaria de São Paulo. Loures recebeu o dinheiro das mãos de Ricardo Saud, diretor da empresa e também delator.


Senadores

 

Uma segunda gravação entregue ao STF trata de uma conversa entre Joesley e o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), na qual pede R$ 2 milhões para pagar a defesa na Lava Jato. Segundo “O Globo”, a conversa de 30 minutos foi em 24 de março num hotel, em São Paulo. O acerto foi feito para que o dinheiro fosse repassado para Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador, que depois entregou as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). Foram quatro maletas entregues, e o episódio foi gravada pela PF. Aécio afirmou estar tranquilo, disse ter relação pessoal com o empresário e prometeu prestar esclarecimentos. 

 

Elo com o PT

 

Joesley também acusa o ex-ministro Guido Mantega de intermediar as negociações de empréstimos do BNDES à JBS. A propina paga em troca, segundo o executivo, não ficaria com Mantega, e sim repassada ao PT. 

 

Devolução

 

Pelo acordo, os executivos da JBS pagarão R$ 225 milhões de multas e ficam livres das acusações da Lava Jato e da operação Greenfield. O grupo também tentará fechar acordo de leniência.

 

Polícia Federal filmou entregas e rastreou dinheiro

 

Segundo a reportagem do jornal “O Globo”, pela primeira vez na Lava Jato a Polícia Federal realizou “ações controladas”, um método em que técnicas são empregadas para obtenção de provas em flagrante, mas a ação policial é adiada para um momento mais propício da investigação. Ao total, teriam sido sete operações deste tipo.

 

Assim, a Polícia Federal conseguiu filmar a entrega de malas e mochilas com dinheiro. Os equipamentos continham chips, o que permitiu o rastreamento.

 

Além disso, segundo o jornal, as propinas estavam carimbadas. Cada uma das cédulas entregues teve seu número de série informado aos procuradores da PGR (Procuradoria Geral da República). Ao total, foram R$ 3 milhões distribuídos desta forma.

 

Deste valor, R$ 2 milhões teriam sido entregues ao primo de Aécio Neves Frederico Pacheco de Medeiros, e foram parar na conta de uma empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

 

A Polícia Federal, de acordo com a reportagem, filmou a entrega do dinheiro – que foi separado em quatro maletas, com R$ 500 mil cada – a Frederico. Outra entrega que foi filmada foi a de R$ 500 mil a um homem de confiança de Michel Temer, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) (leia mais ao lado).

 

Delação expressa

 

A delação da JBS aconteceu em tempo recorde. Diante das provas contundentes, as conversas com os executivos da empresa começaram em março e o processo terminou neste mês.

 

As conversas com o presidente Michel Temer e o senador Aécio, por exemplo, foram feitas em março, mesmo período em que as filmagens da Polícia Federal teriam sido feitas.

 

Um esquema especial também foi adotado pela PGR para que as denúncias não vazassem, conforme explica o jornal. Joesley Batista e os demais delatores do grupo entravam na sede do prédio pela garagem, usando os próprios carros, e subiam até a sala de depoimentos sem serem identificados.