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Atualizado em terça-feira, 11 de julho de 2017 - 10h12

Águas que pedem socorro

Velho Chico. Governos estadual e federal promovem ação para identificar impactos ambientais e propor melhorias no Rio São Francisco

Da Serra da Canastra, na região Centro-Oeste do Estado, as águas do Rio São Francisco correm rumo à foz na divisa de Alagoas e Sergipe. Ao longo do trajeto, de mais de 2,7 mil km, o Velho Chico sofre com a seca prolongada e os impactos causados pelo desmatamento e a poluição urbana. E para identificar os principais problemas e propor um projeto de recuperação e preservação do leito, cerca de 160 agentes públicos participam até o dia 14 de julho de uma ação inédita de fiscalização em 15 munípios mineiros, localizados no médio São Francisco.

 

“Temos a expectativa de, além da fiscalização propriamente dita, oferecer apoio à população, orientando-a e conscientizando-a sobre o melhor uso dos recursos da bacia. Essa tem sido a tônica da FPI desde a sua origem, até porque muitas vezes as ações fiscalizatórias ocorrem em locais onde o poder público raramente está presente”, explica o procurador da República Sérgio de Almeida Cipriano, responsável pela Coordenação Geral da operação.

 

Frentes de fiscalização

A ação conta com 24 equipes de fiscalização que atuam nas mais diversas frentes. Os grupos ‘Flora’ identificam o desmatamento ilegal e as intervenções em áreas de preservação permanente. Os alvos foram escolhidos a partir de imagens de satélite, nas quais foi possível ver as maiores ocorrências de desmatamento na região. 

 

Já as equipes ‘Fauna’ realizam operações contra o tráfico de animais silvestres, cativeiro irregular e a falsificação na identificação de aves. Também serão fiscalizados as áreas de pesca e transporte aquaviário, mineração e saneamento básico. “A experiência constitui também uma oportunidade única de soma de esforços e de conhecimentos, em geral dispersos nas experiências cotidianas de cada órgão, inaugurando um novo modelo de relacionamento entre instituições fiscalizadoras federais e estaduais”, afirmou o procurador.

 

Educação ambiental

Já no primeiro dia da ação, no início deste mês, agentes fizeram um trabalho de conscientização em escolas públicas dos municípios de Januária, Manga, Itacarambi, São Francisco, Bonito de Minas, Cônego Marinho, Miravânia e Montalvânia, no Norte de Minas. Além de palestras, as crianças participaram de atividades lúdicas   e um teatro de marionetes.

 

De acordo com a educadora ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Luisa Marilac Righi, “as ações de educação ambiental voltadas para o público infantil também são consideradas ações de fiscalização preventiva, uma vez que contribuem para que os danos ambientais não ocorram no futuro e para a preservação dos nossos recursos naturais. Além disso, esse tipo de público tem uma importância fundamental na propagação das mensagens, porque as levam para o ambiente familiar de maneira totalmente sincera e desprovida de pré-conceitos”, contou.

 

Por se tratar de uma região muito vasta, com grandes vazios, esse tipo de trabalho exercido pelas equipes deve ser amparado pela atividade das forças policiais. Para isso, a Polícia Militar empenhou diversos policiais para acompanhar os trabalhos, com o reforço da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil.

 

Maior rio inteiramente nacional, o São Francisco banha 240 municípios só em Minas Gerais e é uma importante fonte de renda para pescadores e populações ribeirinhas. “Trata-se de um Estado de suma importância para a bacia como um todo. Reforçamos a rubrica orçamentária para oferecer o apoio que a fiscalização necessita”, finalizou o vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Maciel Oliveira. 

 

São Francisco vive grave degradação ambiental

Hidroelétricas, agropecuária, expansão urbana e transposição de águas. Ao longo dos anos, o Rio São Francisco vem sentindo os impactos causados pelas intervenções urbanas, que foram agravadas pela seca mais prolongada que o leito já viveu. Sua bacia, onde vivem mais de 15 milhões de pessoas, tem grande importância para o país não apenas pelo volume de água transportado em uma região semi-árida, mas, também, pelo potencial hídrico passível de aproveitamento e por sua contribuição histórica e econômica para a região. Porém, isso pode ser interrompido se nenhuma ação de recuperação for realizada.

 

O perecimento do rio decorre de vários fatores, entre eles, o desmatamento realizado para dar lugar a monoculturas e carvoarias, com erradicação das matas ciliares, provocando intenso assoreamento; a poluição advinda do uso indiscriminado de agrotóxicos; a irrigação, muitas vezes sem a devida outorga pela Agência Nacional de Águas, e a construção de barragens e hidrelétricas, que, além de expulsar comunidades ribeirinhas, ainda impede os ciclos naturais do rio. Além disso, as importantes atividades de subsistência vêm sendo prejudicadas, como a pesca e área navegável.