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Atualizado em quarta-feira, 5 de novembro de 2014 - 10h14

NBOMe já representa 80% das apreensões em MG

Droga sintética se dissemina pelo Estado e preocupa autoridades. Semelhante ao LSD, ela é mais potente e causa maiores danos à saúde.
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Com aspecto semelhante ao LSD, o NBOMe é uma das drogas mais perigosas em circulação atualmente pelo Estado. As duas substâncias sintéticas são fabricadas em selos de papel e dissolvem na boca. Elas provocam alucinações, delírios e são bem parecidas visualmente. Mas o NBOMe, que chegou a Minas em 2013, é considerado mais potente.

 

“É uma droga nova no mundo todo, sintetizada e colocada em selos semelhantes ao LSD. O usuário adquire o selo achando que é LSD, mas leva uma droga contendo outra substância com um poder tóxico maior”, explica Pablo Marinho, do Instituto de Criminalística de Minas Gerais.

 

Entre 70% e 80% dos selos de LSD apreendidos hoje no Estado contêm, na verdade, a substância NBOMe, revela o perito. Além de aumentar o efeito sobre o usuário, a produção tem como objetivo burlar as leis antidrogas do Brasil.

 

“Se tratando de nova droga, ela ainda não estará na lista de substâncias proibidas no país. Assim, não é possível enquadrar o usuário nos crimes de uso ou tráfico de drogas”, diz Marinho. Em fevereiro, 11 tipos da NBOMe foram incluídos na lista de substâncias proibidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Mas especialistas alertam para o surgimento de novas variantes da droga.

 

Além de intoxicações graves, o usuário da nova droga pode ter sequelas para o resto da vida. “Ela causa uma alteração de percepção muito mais intensa. O principal risco é o de desenvolver uma psicose e ter delírios que a droga causa, sem usá-la. E evoluir para uma esquizofrenia. Durante os períodos de alucinação, além da ansiedade, o usuário pode realizar coisas que não faria em estado consciente”, revela Frederico Garcia, coordenador do Centro de Referência em Drogas da UFMG.

 

 

No mês passado, um estudante de 20 anos foi encontrado morto em uma piscina da Universidade de São Paulo após ficar três dias desaparecido. Ele teria consumido o NBOMe numa festa na universidade.