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Atualizado em sexta-feira, 1 de novembro de 2013 - 22h47

Tráfico de mulheres movimenta R$ 100 mi

Esquema levava brasileiras para fazer programas sexuais na Angola e Portugal sem camisinha; 700 mulheres foram aliciadas em 6 anos

O Jornal da Band teve acesso, com exclusividade, aos detalhes de uma investigação que prendeu parte de uma quadrilha de aliciadores de mulheres para o tráfico internacional de pessoas. Em seis anos, 700 brasileiras foram levadas à prostituição na Angola e em Portugal. O esquema movimentou mais de R$ 100 milhões.

Wellington de Souza, conhecido como Latyno, liderava a parte brasileira da organização. Percussionista de uma banda de pagode, ele participava de programas de auditório em emissoras de TV brasileiras.

Sua função na quadrilha era convencer garotas de programa e modelos a passar uma semana em na companhia de homens ricos e poderosos em Luanda. O sexo era feito sem preservativo. Só no ano passado 13 mil pessoas morreram em decorrência de complicações causadas pela Aids no país.

Parte das meninas era aliciada em  boates. Nos estabelecimentos, cafetões distribuíam cartões e tentavam enganar garotas que nunca tinham se prostituído. Quando chegavam em Luanda, as garotas eram enfileiradas somente em trajes íntimos. O general angolano Bento dos Santos Kangamba fazia a triagem das meninas.


Kangamba é parente do presidente do país José Eduardo dos Santos. Influente, ele financia times de futebol da África e do campeonato português, como o Vitória de Setúbal.

O esquema se estendia a Portugal. Um amigo de Kangamba, Fernando Republicano, também promovia prostituição com mulheres brasileiras em boates de Lisboa. O preço de um programa de algumas delas – atrizes e musas de auditório famosas no Brasil – chegava a US$ 100 mil. Nessa semana, a imprensa portuguesa noticiou amplamente o crime.

O líder da quadrilha Latyno usava carros de luxo para atrair as garotas para o esquema. Os veículos foram apreendidos numa operação que levou para a cadeia o braço brasileiro da quadrilha. Uma empresa de shows foi usada como fachada para enganar as autoridades e lavar o dinheiro. No prédio onde o escritório funcionava, numa área nobre de São Paulo, ninguém mais apareceu desde que as prisões foram feitas, na semana passada.

Imagens inéditas feitas pela polícia no Aeroporto Internacional de Guarulhos mostram as mulheres aliciadas aguardando voo e embarcando para o outro continente. Em Luanda e Portugal, ninguém ainda foi preso. Mas os acusados de envolvimento na rede criminosa estão na lista da Interpol. Kangamba só não está atrás das grades porque tem imunidade diplomática. 

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