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Atualizado em sábado, 1 de março de 2014 - 21h20

Anac: pilotos investigados fraudaram prova

Investigação encaminhada à PF revelou que pelo menos 64 pilotos tiveram suas habilitações falsificadas para voar

A investigação feita pela agência e encaminhada à Polícia Federal revelou que pelo menos 64 pilotos tiveram suas habilitações falsificadas para voar, no Brasil ou no exterior, há quase quatro anos. O esquema envolvia desde alteração em provas de inglês e validade dos registros até troca de categorias sem que os profissionais estivessem capacitados.

 

Os profissionais precisam passar por diversos cursos até ganhar autorizações específicas para pilotar modelos de aeronaves, além da habilitação para operar voos comerciais. A mesma regra vale para quem está na cabine dos aviões. Um relatório, com mais de 1800 páginas, mostra em detalhes como funcionários do setor de habilitação da Anac em São Paulo, despachantes e comandantes burlavam o sistema.

 

Um piloto, que prefere manter sua identidade oculta, revelou que o esquema envolve a troca de mercadoria, terrenos e carros. Inclusive, muitas vezes a pessoa chega a não fazer a prova.

 

A ANAC deve ser ouvida no Congresso:

 

Doze dos pilotos investigados fraudaram as provas de inglês. No sistema, eles tiveram uma nota alta em fluência na língua estrangeira. Porém, nos exames os erros grotescos apareceram. Em um caso, a pessoa não soube distinguir a diferença entre flap, dispositivo que interfere na sustentação do avião, com flat tyre, que significa pneu furado. Em outros casos, os pilotos simplesmente inventavam palavras inexistentes no inglês, como conheciments.

 

Depois de assistir à denúncia do Jornal da Band sobre a fraude nas habilitações de pilotos brasileiros, Arnaldo Faria de Sá, Presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, disse que vai convocar uma audiência pública para ouvir a Anac (Agência Nacional da Aviação Civil).

 

Relatório

Em 2010, a Anac enviou o processo para a Procuradoria da República. Em 2012, o relatório foi repassado para as mãos da Polícia Federal. Quase dois anos se passaram e o inquérito ainda não foi concluído. Relatório

 

Enquanto isso, profissionais envolvidos no esquema continuam em atividade. Um piloto aparece nas investigações com datas de validade das habilitações alteradas no sistema da Anac. Ele reconheceu ter voado com a documentação vencida, mas negou qualquer participação na fraude. Ele é comandante da TAM e pilota um Airbus.

 

Anac: envolvidos em esquema continuam trabalhando

Anac: 60 subornaram funcionários por habilitação

 

A equipe do Jornal da Band solicitou uma entrevista com o piloto, mas a empresa aérea não atendeu à solicitação. Em nota, a TAM informa que os pilotos de suas aeronaves estão com as suas respectivas licenças para voo em dia e que todos cumprem os treinamentos específicos de acordo com a regulamentação da Anac.

 

Um dos principais envolvidos no esquema foi estagiário do departamento de licenças da Anac. O piloto e ex-despachante Alexandre José de Oliveira Júnior está preso por tráfico internacional de drogas. Essa semana, a Polícia Civil de São Paulo informou que ele era o responsável pelo treinamento de pilotos que agiriam no resgate de líderes do PCC no interior do estado.

 

A polícia suspeita que os criminosos fossem se beneficiar do esquema para conseguirem as habilitações falsas.

 

Golpe

 

Outro golpe, mais antigo, continua presente na aviação brasileira. Ele é conhecido como Hora Bic, porque há alguns anos, pilotos forjavam na canetada o tempo de voo nas carteiras profissionais.

 

A falsificação ainda é usada por recém-formados que precisam comprovar experiência para conseguir emprego ou subir de categoria. Eles lançam na base de dados horas voadas sem sair do chão.

 

Mesmo com o novo processo eletrônico usado pela Anac, pilotos afirmam que é possível burlar o sistema.

 

O Ministério Público Federal em Goiás e no Pará já movem ações civis públicas, com pedido de liminar contra a Anac, exigindo mais rigor na fiscalização dos pedidos de licenças para novos pilotos comandarem voos comerciais no Brasil. 

 

Repercussão Internacional

 

Autoridades da aviação civil dos Estados Unidos ficaram preocupadas com a denúncia e pretendem pedir explicações ao governo brasileiro.

 

Os comandantes flagrados no esquema de corrupção podem ficar impedidos de voar no espaço aéreo americano.

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