Tamanho de fonte
Atualizado em sexta-feira, 17 de março de 2017 - 19h26

Vereadora em SP diz que foi agredida por colega

Isa Penna relata ter sido xingada de 'vagabunda' e ameaçada de 'tomar uns tapas na rua' pelo parlamentar Camilo Cristófaro
Isa Penna é suplente do vereador Toninho Véspoli - que se licenciou da Câmara de SP / Divulgação Isa Penna é suplente do vereador Toninho Véspoli - que se licenciou da Câmara de SP Divulgação

A vereadora de São Paulo Isa Penna (PSOL) diz que foi xingada de "vagabunda" e "terrorista" pelo também parlamentar Camilo Cristófaro (PSB) no elevador da Câmara. Cristófaro teria falado ainda para Isa não ficar surpresa "se tomar uns tapas na rua". 

 

A presidência da Câmara Municipal informou que vai instaurar uma sindicância interna por quebra de decoro contra o vereador. A medida será tomada pela Casa porque a parlamentar prestou queixa a policiais militares acompanhada de uma testemunha.

 

De acordo com Isa, o episódio ocorreu no elevador privativo da Câmara por volta das 19h30 desta quinta-feira (16). A parlamentar disse que se deslocava para uma reunião onde trataria de audiência pública de combate à violência contra a mulher. 

 

Cristófaro, também no elevador e acompanhado de dois assessores, estava olhando com "uma cara extremamente esquisita", explicou. "Falei 'tudo bem?'. Ele falou: 'Bem, não. Com essa boca que você tem, vai mal. Vai muito mal'. Perguntei por quê e ele falou: 'Você pensa que vai ficar barato? Vamos pedir a sua cassação'", disse Isa. 

 

Neste momento, conforme relatou a vereadora, Cristófaro "ficou irracional" e passou a xingá-la de "vagabunda". "Foi absurdo. Ele me chamou de vagabunda, começou a 'metralhar'. E falou: 'depois não vai ficar surpresa se você tomar uns tapas na rua'."

 

A agressão teria continuado quando eles saíram do elevador. "Ele continuou gritando comigo, veio até mim e ficou me intimidando fisicamente. Lembro que, em determinado momento, ele chega a encostar em mim e veio para me empurrar, mas dou um passo para trás", contou ela. 

 

Boletim de ocorrência e cassação

 

Nas redes sociais, Isa contou que prestou depoimento na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, no centro de São Paulo, e registrou boletim de ocorrência contra o vereador por lesão corporal e agressão verbal.

 

Imagens de câmara de segurança, que mostram a discussão (no canto direito), foram anexadas no processo. Assista: 

 

 

A parlamentar também vai protocolar, na segunda-feira (20), pedido de abertura de procedimento junto à Corregedoria da Câmara, caminho regimental pelo qual se dá o trâmite de julgamento de pedidos de cassação de mandato dos vereadores. 

 

Machismo 

 

Líder da bancada do PSOL, a vereadora Sâmia Bomfim reagiu: "Isso foi uma demonstração de machismo. Há vereadores incomodados na Câmara com a nossa postura, nossa luta feminista. A vinda da Isa neste mês acentuou isso."

 

O PSOL tenta aprovar uma CPI na Casa sobre violência contra a mulher na capital.

 

Esta é a segunda denúncia de agressão dentro da Casa. Em 10 de fevereiro, a petista Juliana Cardoso acusou assessores de Fernando Holiday (DEM) de invadirem o gabinete da liderança do PT e agredirem verbalmente e com tapas parte dos funcionários do partido durante uma reunião com o senador Lindberg Faria (PT). Holiday nega. O caso está na Corregedoria da Câmara.

 

Cristófaro nega as acusações 

Camilo CristófaroReprodução/Facebook

 

"Não tenho posição nenhuma para passar sobre isso. Não vou dar palanque para quem tem 30 dias de mandato com 20 aninhos de idade querendo aparecer", disse Cristófaro. 

 

Isa é suplente do vereador Toninho Véspoli (PSOL) - que se licenciou - e está no cargo desde o dia 8 de março. 

 

O vereador confirmou que pegou o elevador com Isa na quinta-feira, mas disse que as acusações dela são mentirosas. "Uma coisa é pegar o elevador, a outra é a mentira que ela está contando. Eu não vou atrás de mentira, comigo é verdade. Se quiserem inventar notícia, que inventem."

 

Outra polêmica 

 

No final do ano passado, antes mesmo de assumir o mandato, Cristófaro se envolveu em uma polêmica após ter estacionado seu carro em um local proibido dentro do estacionamento da Câmara Municipal de São Paulo. 

 

O parlamentar, que fez campanha usando a “indústria da multa” como mote, não quis conversar com a reportagem, mas gravou um vídeo, sem entrar em detalhes, dizendo que “foi autorizado” pela GCM a estacionar naquele ponto.

 

Leia também: 
RB denuncia 'nepotismo cruzado' envolvendo vereadores Claudinho e Telhada
Fim dos ‘supersalários’ trará economia de R$ 20 milhões a SP
Haddad ministra primeira aula na USP desde que deixou Prefeitura