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Atualizado em sexta-feira, 26 de maio de 2017 - 15h22

Médicos pedem dispensa de ação na Cracolândia

Parte dos profissionais diz que não foi informada sobre avaliações para internações compulsórias de usuário de drogas
Usuário de droga foge de policias durante operação na último domingo  / Paulo Whitaker/Reuters Usuário de droga foge de policias durante operação na último domingo Paulo Whitaker/Reuters

Parte dos médicos convocados para atuar nas operações da Cracolândia, em São Paulo, procurou o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) para pedir a dispensa de ações como essa.

Em entrevista à rádio BandNews FM, o presidente do Cremesp, Mauro Aranha, relata que os profissionais não foram informados que iriam fazer avaliações para internações compulsórias de usuários de drogas.

O Conselho Regional de Medicina ainda denuncia que a prefeitura paulistana – quando levou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a petição que pedia a internação compulsória – citou três médicos que não foram consultados.

A prefeitura de São Paulo usa trechos de publicações médicas para justificar a ação. Mas, de acordo com Mauro Aranha, pelo menos um dos médicos defende publicamente ser contra esse tipo de trabalho.

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O especialista explica também que existe um protocolo a ser seguido para avaliar casos de internação. Segundo ele, nem todos os usuários de drogas que foram retirados da região da Cracolândia necessitam de tratamento médico, em alguns casos o tratamento ambulatorial é o mais indicado.

O que a prefeitura fez, de acordo com o presidente do Cremesp, foi o contrário do que é recomendado. Para ele, a atitude da administração municipal é "arbitrária". Mauro Aranha encerra dizendo que "não é aceitável que a Justiça determine a internação compulsória sem a fundamental de profissionais da área".


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Segurança

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), admitiu que a ação policial na Cracolândia foi contra o que estava planejado. O programa Redenção previa, antes da operação de domingo passado, o cadastramento dos dependentes e o acolhimento.

Neste sexta-feira, Doria disse que a presença das forças de segurança teve que ser antecipada. O motivo da ação foi a necessidade de dar segurança aos agentes sociais e de saúde, segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB). 

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Apoio

Nesta sexta, começou a funcionar um contêiner do Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas na região da Cracolândia. A capacidade de atendimento é de 80 pessoas por dia.

Segundo a prefeitura, dois psiquiatras ficarão de plantão 24 horas para avaliação e atendimento dos dependentes químicos.

Programa redenção
Contêiner do projeto (foto: Rádio Bandeirantes)

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