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Atualizado em sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 - 11h03

Polícia investiga agressão por homofobia

Estudante homossexual de 20 anos foi atacado a socos e pontapés por dois homens em Porto Alegre
Imagens de Willian na marcha do Fórum Social e após agressão correm nas redes sociais / Reprodução/ Facebook Imagens de Willian na marcha do Fórum Social e após agressão correm nas redes sociais Reprodução/ Facebook

 

O que deveria ser um simples retorno para casa após uma sessão de cinema se transformou em um caso de repercussão nacional na vida do estudante Willian Santos, 20 anos. O jovem foi agredido e ofendido com termos homofóbicos por dois homens – um branco e outro negro –  por volta da meia-noite do último domingo, em Porto Alegre.O caso foi registrado na polícia, que abriu inquérito.

O jovem foi interceptado quando caminhava sozinho em direção ao centro. Foi chamado de “veado” diversas vezes e passou a ser alvo de socos e pontapés, sobretudo no rosto. Devido às agressões, desmaiou e teve quatro dentes quebrados.

Uma mochila com R$ 20 em dinheiro e pertences e o tênis foram roubados. O celular, de última geração, não foi levado.

Instantes após a fuga dos agressores, Willian recobrou os sentidos e chamou um amigo, que o levou ao HPS (Hospital de Pronto Socorro). Foram mais de dez pontos na boca, lábios, supercílio e testa.

Ex-voluntário da ONG Somos- que defende os direitos dos homossexuais-, Willian procurou ajuda nessa terça-feira –, e a agressão foi registrada no dia seguinte. O caso começou a ganhar repercussão quando a fotógrafa Daniela Bittencourt postou uma imagem do jovem feita por ela na marcha do Fórum Social, junto a outra tirada no hospital. Foram mais de 33 mil compartilhamentos em 24 horas.

“Esse caso demonstra que não é só em São Paulo que isso acontece, mas aqui também”, afirmou Alexandre Böer, do Somos, que acompanha o caso.

Tâmara Biolo Soares, diretora do Departamento de Direitos Humanos da Secretaria da Justiça, informou que o caso foi registrado junto à Ouvidoria da Secretaria da Segurança Pública: “Há um aumento de casos desse tipo, o que nos preocupa muito”.

Confira a entrevista com Willian Santos, nascido em Porto Alegre e que estuda Relações Internacionais em Natal, onde vai morar a partir deste domingo.

Como foi a abordagem?

Fui pego de surpresa, não tive chance de reagir. Fui imobilizado por esses dois elementos após sair do cinema. Começou logo a agressão.

O que eles falavam?

Me agrediram verbalmente. Me chamaram de “veado”, coisas típicas de homofobia. Num primeiro momento pensei que era brincadeira, mas não foi bem assim.

Eles levaram algo?

Sim, um tênis e outros pertences. Mas não foi um roubo normal, eles não levaram o celular, que era o mais caro. É meio esquisito, não?!

Você acha que tudo ocorreu por você ser gay?

Sim, isso influenciou muito as agressões.

O que aconteceu depois?

Eu perdi os sentidos por uns minutos. Quando despertei, liguei para um amigo meu que me le vou para o hospital.

Você tinha medo desse tipo de agressão?

Sempre me preocupei muito, pois milito no Somos. É preciso que os nossos governantes façam algo. Somos minoria e não temos poder.

Como você está avaliando a repercussão do seu caso?

Estou pasmo com tanta repercussão, carinho e apoio, o que me dá força para me expor. Não quero me vitimizar, mas mostrar que isso ainda é corriqueiro. Espero que isso tenha fim.

 

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