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Atualizado em sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 - 22h10

Perícia conclui que rojão feriu cinegrafista

Profissional da Band foi atingido por uma bomba em ato contra aumento da passagem e segue em coma, em estado grave



Uma perícia concluiu que foi um rojão o artefato que feriu gravemente um repórter cinematográfico da Band, durante um protesto no centro do Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira. Atingido na cabeça, Santiago Andrade teve afundamento do crânio e está internado em coma no Hospital Souza Aguiar.

O autor do disparo do artefato que atingiu a cabeça do cinegrafista pode ser condenado a até 35 anos de prisão. A identidade do suspeito ainda é desconhecida. 

Disque-Denúncia pede ajuda para achar suspeito

A Polícia Civil acredita que o responsável pelo crime seja um homem que aparece correndo em uma foto tirada segundos depois de o explosivo ser aceso. O fotógrafo que fez a imagem é considerado uma peça-chave para as investigações, que podem ser encerradas na semana que vem.

Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff, por meio de seu Twitter, prestou solidariedade ao cinegrafista, de 49 anos, atingido pela bomba durante o ato na Central do Brasil. "Minha solidariedade ao cinegrafista Santiago Andrade, atingido por explosivo quando participava da cobertura de manifestação, no Rio", afirma o tweet da presidente.

Minha solidariedade ao cinegrafista Santiago Andrade, atingido por explosivo quando participava da cobertura de manifestação, no Rio.

 

Testemunha

Um fotógrafo que cobria a manifestação na noite desta quinta-feira viu um dos participantes do ato preparando o lançamento da bomba que feriu gravemente o cinegrafista. "Eu vi um homem, um black bloc, com o rosto tampado, com calça jeans, camisa meio clara, arriado no chão e acendendo um foguete. Foi o momento em que esse artefato ganhou impulso e atingiu o nosso companheiro”, disse o profissional à BandNews FM. O fotógrafo preferiu não se identificar.

Pelos relatos obtidos por testemunhas, o engenheiro Moacyr Duarte, da UFF (Universidade Federal Fluminense) aponta que provavelmente o artefato lançado é de fabricação caseira. "Essa composição de massa explosiva - com geração de chama intensa de calor - se parece mais com a chamada bomba de fabricação caseira. É um modelo tradicional que espalha estilhaço e imita o princípio da granada, só que é feita com materiais caseiros e explosivo, pólvora preta. Pelas características físicas, não parece nenhum artefato utilizado pela polícia”, contou.

A investigação sobre o artefato segue com a perícia das roupas do cinegrafista. Técnicos também auxiliam na busca de novas provas.

Saúde

O estado de saúde de Santiago Andrade é considerado grave, ele segue em coma, mas em estado estável segundo os médicos do Hospital Souza Aguiar. Durante a madrugada, o cinegrafista passou por cirurgia de quatro horas na cabeça.

Vídeo

Um vídeo mostra o momento em que o cinegrafista Santiago Andrade é atingido pela bomba, na noite dessa quinta-feira, durante um protesto na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

O Grupo Bandeirantes lamentou o caso em nota divulgada na noite de quinta-feira. "Durante as manifestações na Central do Brasil, nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, o cinegrafista Santiago Andrade da Band foi ferido na cabeça por um artefato – não se sabe, por enquanto, se uma bomba de gás lacrimogênio ou de fabricação caseira. O cinegrafista, que perdeu muito sangue, foi levado sem sentidos, num carro da polícia,  para o Hospital Souza Aguiar, onde passou por uma tomografia e está sendo submetido a uma cirurgia. Seu estado é grave. A Band espera no hospital, junto à família de Santiago, os resultados da cirurgia  e poderá voltar com novas informações".

Vídeo mostra bomba lançada contra cinegrafista:

 

 

Prisões

A PM (Polícia Militar) prendeu 20 manifestantes que participavam do protesto contra o aumento das passagens de ônibus. O grupo foi colocado em um micro-ônibus da PM e levado para a 19ª Delegacia de Polícia. Nesta manhã, eles foram liberados.  

A manifestação começou pacífica às 18h30 com uma passeata pela Avenida Presidente Vargas até a Central do Brasil, mas terminou em um grande tumulto, quando os manifestantes invadiram o prédio da central e forçaram a liberação das roletas.

Policiais da Tropa de Choque intervieram, atirando bombas de gás com o objetivo de esvaziar a estação, de onde partem todos os ramais de trem da capital fluminense. Em alguns momentos do confronto dentro da Central da Brasil, os manifestantes jogaram pedras contra os policiais, que responderam com bombas de gás e cassetetes.

Do lado de fora da central, os manifestantes fizeram uma grande fogueira com banheiros químicos e derrubaram um dos portões de acesso à estação. Pontos de ônibus foram quebrados. Várias pessoas que tentavam embarcar nos trens passaram mal por causa das bombas de gás lacrimogênio e precisaram ser atentidas por equipes de emergência.

O tumulto se espalhou para as ruas vizinhas, com os manifestantes colocando fogo em pilhas de lixo no meio da rua, o que forçou a interrupção do trânsito de veículos na região.

Os policiais continuaram a reprimir os manifestantes para liberar as vias. Às 21h, a situação ainda não estava totalmente controlada no entorno da central, pois os manifestantes se dividiram em vários grupos. Apesar do tumulto, os serviços de trens não foram interrompidos.

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