Rio terá centro de transplantes

Estado tem 7,8 doações por milhão de habitantes, abaixo da média nacional de 10,5

Estado que menos faz transplantes no sudeste, o Rio de Janeiro negocia com o Governo Federal para transformar o hospital de Ipanema em Centro de Transplantes já no ano que vem. A gerência ficaria por conta de organização social, aproveitando nova lei aprovada na Alerj (Assembleia Legislativa) em setembro, com todo público atendido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Os hospitais Sírio-Libanês e o Einstein, ambos de São Paulo, estão em negociação com a SES (Secretaria de Estado de Saúde) para participar do projeto - que ainda pode contar com a parceria da Rede D’Or. Segundo a Central Estadual de Transplantes, caso o hospital de Ipanema não seja disponibilizado, será necessário a construção de um outro, adiando o projeto.

“Não estamos inventando nada de novo. Vamos pegar a expertise em São Paulo, onde há essa experiência de parceria público-privado. Estamos com falta de leito na rede pública. Desde que começamos o programa estadual de transplantes, no ano passado, aumentaram as doações”, explica Eduardo Rocha, coordenador da Central Estadual de Transplantes (tel.: 155).

Nos últimos dois anos, o Rio conseguiu aumentar as doações. O número de órgãos doados por um milhão de habitantes no primeiro semestre de 2011 (7,8 doações/milhão) já é quase o dobro do que foi doado em todo o ano passado – mesmo assim, abaixo da média nacional (10,5/milhão).

Além de disponibilizar mais leitos, a construção do Centro de Transplantes também vai desafogar os hospitais de Bonsucesso, Fundão, Pedro Ernesto e Antônio Pedro, referências em transplante no Rio, e ainda seria a melhor opção para casos mais graves.

Um problema a ser resolvido no Rio é o transplante de córneas. O Estado chegou a ser o último em um ranking feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o tempo de espera por transplantes. Em 2006, os candidatos a um transplante de córnea aguardavam 19,4 anos pela cirurgia.

Segundo Eduardo Rocha, o quadro tem mudado desde o ano passado, com a inauguração do Banco de Olhos de Volta Redonda. “Logo depois da inauguração do Banco de Olhos, aumentamos em 500% o número de transplantes. E já estamos programando a inauguração de mais outro banco”, garante Eduardo.

 

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