Carol Rossetti: crítica delicada começou por acaso

Artista mineira faz sucesso no Facebook com suas ilustrações sobre os preconceitos enfrentados pelas mulheres

A ilustradora Carolina Rossetti tem feito sucesso no Facebook com suas figuras e frases delicadas, que retratam com força os preconceitos que muitas mulheres enfrentam diariamente. Iniciada em abril deste ano, a série de desenhos da artista mineira reforça sempre uma ideia: seja fiel a você mesma, sem se importar com o que os outros dizem.

Apesar da repercussão na internet – a página oficial de Carol no Facebook já tem mais 140 mil curtidas -, a artista contou em entrevista ao Portal da Band que começou a desenhar sobre o tema sem nenhuma pretensão.

“Quando comecei a publicar, não esperava que ninguém além dos meus amigos, que já acompanhavam a página, visse. Não havia um grande objetivo por trás, não foi tudo planejado e idealizado nos detalhes”, explicou.

Carol Rossetti/Divulgação


Nem mesmo a identidade visual dos desenhos foi elaborada de antemão. “Meu objetivo inicial era apenas treinar minha técnica com lápis de cor, que não era muito acostumada a usar nas minhas ilustrações. A cor do fundo é a cor do papel que eu uso, o papel kraft. Já tinha desse papel aqui em casa e não estava fazendo nada com ele”, contou.

O que esteve na cabeça de Carol desde o princípio, porém, foi a leveza de traços e palavras para construir uma crítica forte sobre como a mulher é vista na sociedade. “Como já vinha pensando em várias questões relativas a preconceitos e opressões do dia a dia, optei por provocar reflexões sobre situações cotidianas através de uma linguagem leve”, disse a artista, que é fã do trabalho do cartunista Will Eisner.

Carol Rossetti/Divulgação


Carol se inspirou em histórias verdadeiras para desenhar sua série, apesar da maioria das suas personagens ser inventada. “As situações são todas reais, mas a maior parte das personagens é fictícia. Isso significa que eu me inspiro em vivências minhas, de amigos, familiares ou relatos de pessoas na internet, mas sempre mudo o rosto e o nome da pessoa. As únicas personagens reais são a Whitney, que é a Whitney Thore (Fat Girl Dancing), e a Aline (Aline Lemos, Desalineada)”, revelou.

Para a artista mineira, a multiplicidade de temas do seu trabalho se deve, em parte, à incapacidade de se medir a gravidade dos diversos típicos de experiências traumáticas vividas pelas mulheres ao redor do mundo.

“Existem mulheres que são desrespeitadas em entrevistas de emprego porque são gordas. Existem mulheres adoecendo psicológica e emocionalmente porque não conseguem corresponder a um ideal cruel e irreal de beleza e comportamento, que pode ser mais ou menos exigido de nós, dependendo do nosso contexto”, enumera. “Existem mulheres morrendo por não terem acesso a um aborto seguro, mulheres sendo estupradas por seus maridos que as consideram sua propriedade, mulheres trans cometendo suicídio por não terem sua identidade respeitada em lugar algum. Como "medir" as opressões sem passar um rolo compressor nas vivências de tanta gente? Não tem como.”

Carol Rossetti/Divulgação
 

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