Aplicativos incentivam empoderamento feminino

Serviços vão oferecer transporte particular com motoristas mulheres

Não é difícil encontrar relatos de mulheres se queixando de assédios sofridos dentro de transportes públicos ou particulares. Também não é incomum ouvir uma mulher dizendo que sente medo ao andar nas ruas, principalmente no período da noite e sozinha.

Esses dois exemplos motivaram a criação de dois aplicativos de transporte particular voltado ao público feminino. Além disso, os apps Delas e Lady Driver buscam ainda aumentar o empoderamento feminino e a sororidade - termo usado para expressar empatia entre mulheres. 

O Delas foi pensado por três jovens cariocas que resolveram colocar em prática o plano de criar o aplicativo após várias conversas sobre o assunto. Ana Carolina Castro, Marina Kashiwagi e Mariana Oliveira perceberam que nenhuma empresa no mercado tinha esse foco e resolveram apostar.

“A gente conversava muito sobre tecnologia e, entre essas discussões, percebemos que existia um buraco nesse mercado. A ideia também surgiu por uma própria necessidade nossa”, contou a designer Marina Kashiwagi.

O medo de assédio na rua ou até mesmo dentro de um táxi não foi o único fator que incentivou a criação do Delas, segundo as empreendedoras. O aplicativo busca criar empatia entre as mulheres e valorização do serviço feito por elas.

“O Delas não foi criado apenas por uma questão de medo, é também uma questão de sororiedade, de indicar uma mulher e de consumir o que ela faz. Agora é o momento, em que a união está mais forte do que nunca”, explicou Marina. “Fizemos uma pesquisa nas ruas e perguntamos para as mulheres: ‘Você, como mulher, indica outras para o trabalho? Dá preferência para mulheres? E as respostam foram muito positivas.” 

O aplicativo voltado ao público feminino funciona como uma espécie de Uber ou o próprio táxi, mas conta apenas com condutoras mulheres. Por enquanto, as corridas feitas pelas motoristas são agendadas e ocorrem na cidade de São Paulo. 

“Estamos desenvolvendo o aplicativo e precisamos de investidores para financiar e finalizar essa etapa. Mas já podemos provar que funciona na prática”, disse a designer.

As conversas com as motoristas - aproximadamente 15 atualmente -  e passageiras são feitas pelo WhatsApp por questão de segurança, segundo as criadoras do Delas. “Pelo inbox no Facebook, conversamos com elas, ligamos e é tudo feito de forma bem próxima”, falou a desginer.

Segundo as empreendedoras, o preço do serviço é baseado no Uber, mas varia dependendo da rota que será feita. “Apresentamos o valor para a motorista e elas podem topar ou não de acordo com o que elas consideram suficientes. Às vezes, se ela está muito distante e dependendo do horário, o valor pode ser mais alto. Essa taxa de deslocamento ela inclui no preço”, disse Marina.

Mariana e Ana integram a equipe do DelasMariana (esquerda) e Ana também fazem parte da equipe do Delas - Divulgação/Delas

Segurança

As jovens também explicam que a segurança das motoristas e usuárias foi bem pensada para evitar possíveis boicotes – uma pessoa mal intencionada que pretende usar o app, por exemplo. 

“Na hora de realizar o cadastro, vamos solicitar ou o número do CPF, RG, alguma foto, que virá de uma fonte segura, como a Receita Federal, por exemplo”, disse a analista de sistemas Mariana Oliveira. 

Outra forma que as idealizadoras pensaram é a possibilidade de denunciar algum tipo de problema ou tentativa de boicote. 

E se um casal quiser pedir o app? As jovens explicam que esse não é foco e sim mulheres, crianças e idosos que necessitam do serviço. “Com o aplicativo, elas podem voltar seguras e sem medo para a casa”, explica a designer.

“O primeiro passo do Delas é o transporte, que percebemos que era necessário. O próximo é suprir outros serviços para mulheres feitos por elas mesmas”, finaliza Mariana Oliveira. 

Caso uma mulher queira ter mais informações sobre o serviço, basta entrar na página do Facebook e mandar uma mensagem.  

Lady Driver: assédio motiva criação de app

A empresária Raquel Correa Lopes utilizava com frequência os serviços de táxi, mas depois de um episódio ocorrido com a irmã Gabriela Correa, as duas resolveram fazer uma pesquisa. 

“Após minha irmã sofrer um assédio por taxista, o que a deixou com muito medo, decidimos pesquisar se havia algum aplicativo que conectava passageiras mulheres a motoristas mulheres. Como não existia, decidimos criar a Lady Driver”, explicou Raquel.

A ideia do app é também trazer mais mulheres para o setor de motorista já que, de acordo com as empreendedoras, “apenas 5% dos motoristas são mulheres, sendo que mais de 50% dos passageiros são também as mulheres. “A profissão remunera bem e ela pode fazer o próprio horário de trabalho, o que é muito útil para as mães, por exemplo. Também queremos fortalecer o empoderamento feminino e a igualdade de gêneros.” 

Aplicativo Lady DriverDivulgação/Lady Driver

Previsto para 2017 em Android e iOS, o aplicativo já funciona com corridas agendadas e preços mais populares.  Segundo Raquel, atualmente as motoristas estão sendo cadastradas. Para isso, a mulher interessada deve entrar no site, enviar os documentos necessários e aguardar a aprovação. 

Inicialmente, o app irá funcionar apenas na capital paulista, mas as empresárias têm planos para expandir o Lady Drivers nas principais cidades do Brasil e América Latina. 

As irmãs também se preocupam com a segurança das motoristas em relação a passageiros homens e a assaltos. “O cadastro só poderá ser feito em nomes e documentos de mulheres. Outra ideia é da passageira anexar um documento de identificação no momento do cadastro”, conta Raquel. 

“Estamos iniciando o nosso trabalho somente com mulheres, porém, temos o projeto que ainda está sendo desenvolvido para transporte de crianças e pessoas da terceira idade, e neste último caso, sim, pretendemos colocar casais de idosos”, finaliza a empreendedora.

A mulher que tiver interesse deve acessar a página no Facebook.

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