Jovens incentivam 'carona coletiva' entre mulheres

Com medo de andar sozinha e à noite pelas ruas de SP, dupla estimula contato e companhia entre mulheres por meio de página do Facebook

A estudante Luiza Mendonça costumava fazer seu caminho da faculdade até a casa todo dia, sozinha e à noite. “Se aparece alguém na rua e, principalmente se for homem, você já pensa nas coisas mais bizarras que podem acontecer, e se prepara para o pior. Quando você chega em casa feliz e aliviada quando é mais um 'alarme falso'", conta a jovem.

Relatos assim são comuns entre as mulheres, mas Luiza teve sorte: encontrou um grupo de jovens que incentivam a companhia de mulheres que fazem itinerários semelhantes. No Facebook - lugar onde divulgam as principais informações - elas são conhecidas como as 3 Marias

As responsáveis pela ideia são as estudantes Thaís Kuga e Thaís Fontoura. “É aquela famosa frase que quando você escuta um barulho na rua e vê que é uma mulher e não um homem, você fica aliviada”, explica Kuga. 

As duas se conheceram na faculdade e, quando as aulas passaram a ser no período noturno, elas perceberam a necessidade de mais companhia para voltar para a casa.

E a ideia vai além disso. As jovens usam como símbolo uma pulseira roxa, que é utilizada para o reconhecer outras mulheres nas ruas que querem companhia. “É um quebra gelo para a carona a pé, um caminho em união”, conta Kuga. 

Aliviada, Luiza disse que, agora, ela se sente mais tranquila para completar o trajeto para casa. “Com as meninas eu me sinto mais segura e mais leve. Continuo olhando muito para quem estiver na rua, mas sem o mesmo pânico. Não preciso andar mais rápido, vamos com nosso ritmo”.

Maria da vez

Luiza, inclusive, conheceu as companheiras após ser tema de um post das 3 Marias no Facebook. Na publicação, as estudantes detalham qual o caminho que ela todos os dias e as meninas que fazem um trajeto semelhante se juntam a ela. 

“Toda semana, escolhemos a Maria da vez, e colocamos o caminho dela. Lá, as meninas quebram o gelo e encontram companhias para se unir”, disse Fontoura.  

Porém, Thaís faz uma ressalva e explica que essa prática não deve ser apenas quando a mulher sente medo e sim um hábito diário.  “Nosso desafio é também conscientizar sobre isso. Não é só quando a bomba explode. As mulheres têm que entender que a melhor forma de evitar acontecimentos ruins é estar com outra mulher ao seu lado”, reitera a estudante. 

maria da vez
Post semanal procura companhia para estudantes que andam pela mesma região - Reprodução/Facebook

Causa em comum

Segundo as criadoras da página, cerca de 7 mil pulseiras já foram distribuídas em mais de sete universidade ou instituições de ensino da Grande São Paulo, além de outros estados que já entraram em contato. 

“Tem muita gente pedindo as pulseiras. Vamos fazer mais 5 mil por causa disso. As outras acabaram muito rápido porque é uma causa que fala com muitas mulheres, não tem idade, cor, e sim o mesmo, que existe para todas”, completa Fontoura.  

E qual o motivo do nome? “São as Três Marias da estrela guia e também um nome genérico para mulheres, assim como o problema que tratamos”, explicam as jovens.

Para participar do movimento, basta entrar em contato com as administradoras da página no Facebookpedir sua pulseirinha e fazer parte do coletivo. 

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