Brincar é coisa séria

De acordo com psicóloga, simples ato de brincar é importante para o desenvolvimento das crianças

Que adulto nunca sentiu falta da infância? Passar o dia brincando com os amigos na rua, voltar para a casa sujo e cansado, repleto de lembranças. Quando crescemos, deixamos um pouco de lado a imaginação e a curiosidade pelo mundo, mas não deveríamos.

De acordo com a psicóloga Sarah Helena, esse simples ato de brincar é importante para o desenvolvimento das crianças. É quando ela organiza o próprio mundo e ideias, é quando ela aprende coisas novas e ressigifica o que já viveu. É quando ela pode expressar o que sente. 

“Brincar é coisa séria, principalmente para as crianças, e deve ser tratada como tal. Ter tempo para brincar e até mesmo para ‘não fazer nada’ é um direito delas que deve sempre ser resguardado”, explica a especialista, em entrevista ao Portal da Band

Quando o pequenos deixam o ambiente de sempre, normalmente a casa ou condomínio, e levam a brincadeira para a rua, é ainda mais benéfico. "Brincar ao ar livre é uma oportunidade para que a criança possa expandir seu universo e ir ao encontro do novo e do diferente, ocupando os espaços urbanos, participando da vida comunitária, sendo parte ativa do meio em que vive". 

E fazer isso é mais fácil do que você imagina. Pode ser um passeio pelo bairro – privilégio de algumas crianças -, uma volta na praça ou o simples ato de observar as nuvens do céu e imaginar...tudo é válido para os pequenos. “Por meio do faz de conta, a criança pode se ver desempenhando vários papéis, brinca de ser, enquanto constrói quem ela é”, disse a psicóloga. “Se a realidade é dura, a fantasia sempre pode nos salvar”.

Os pais também podem e devem participar da rotina de brincadeira. Sarah Helena indica a hora de fazer comida, por exemplo. “Os adultos podem pedir para que os filhos ajudem. É possível criar um prato diferente, fazer uma divertida salada de frutas, decorar um bolo”, falou. O importante é deixar a brincadeira fluir.

‘O momento de brincar é só dele’

A publicitária Silmara Araújo, de 25 anos, concorda com a opinião da psicóloga. O filho Bernardo Moreira Araújo, de três anos, adora correr, escavar a terra e se sujar. De acordo com a mãe, ele ama as “brincadeiras que gastam energia”. 

Moradores da cidade de São Paulo, a família sempre leva o garoto para frequentar parques ou lugares com áreas verdes, para que ele possa brincar à vontade. “É o momento dele, é quando pode relaxar, se desenvolver, aprender a lidar com outras pessoas, com situações difíceis e a descobrir coisas novas”, explica Silmara, que considera este momento muito importante para o filho.

Para a mãe, também é um momento em que Bernardo pode se expressar. “Sempre observamos o ‘como’ a criança brinca, porque muitas vezes é como ela fala que tem algo errado, mesmo que inconscientemente”, contou.

BernardoBernardo adora brincar no Catavento Cultural - Arquivo pessoal

A publicitária explica ainda que é cada vez mais importante reivindicar os espaços públicos para os pequenos. “Além de ser quando a criança começa e aprende a se socializar, a sociedade também precisa aprender a lidar com a criança. É uma via de mão dupla”, disse. 


Silmara indica os lugares que Bernardo mais frequenta: o Parque Água Branca, zona oeste de São Paulo; Horto Florestal, na zona norte, e o Catavento Cultural, no Brás, região central da cidade.

‘A volta no quarteirão é uma festa’

Enzo Casella Pereira, de 6 anos, costuma brincar onde o pai – Luis Fabio Mandina Pereira, de 42 anos – também passou a infância. A diferença é que o local ficou mais violento com o tempo.

“Eu costumava conhecer todas as pessoas do bairro. Hoje, meus filhos e sobrinhos não conhecem as crianças na rua. Eles não têm mais esse tipo de contato”, lamentou o advogado.

enzoEnzo costuma brincar com as primas - Arquivo pessoal


O garoto passa o dia na casa da avó, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e também com a presença dos primos. Mas é aos finais de semana que os pais conseguem deixá-los brincar na rua. “Dura pouco tempo, é mais na parte da manhã e um pouco à tarde. Eles sentem falta e pedem para dar uma volta no quarteirão. Para eles, isso é um evento, uma festa ”, explica o pai.

Segundo Luis, o bairro passou a ter a presença de usuários de drogas e é só com a supervisão dos adultos, que o passeio pelo bairro é possível.

“As crianças gostam de explorar a rua mesmo. Eles pegam e recolhem algumas pedrinhas. Correm, brincam de bicicleta e boneca”. O advogado contou ainda que além desses passeios, ele costuma levar o Enzo aos parques Ibirapuera e Aclimação.

“Aos domingos, quando algumas vias ficam fechadas apenas para uso dos pedestres, também vou com ele”, acrescenta.

Luis ressalta que, mesmo deixando filho brincar no tablet ou celular, valoriza o contato com outras crianças, mesmo que seja “cada vez mais difícil”.

O que fazer em São Paulo no Dia das Crianças?

Museu Catavento

Endereço: Av. Mercúrio, s/nº, Brás (centro)

Quando: De quinta-feira a domingo, das 9h às 17h. Ingressos: R$ 6 (R$ 3 a meia), no sábado a entrada é gratuita.

Japan House

Endereço: Av. Paulista, 52, Bela Vista (centro).

Quando: Quinta-feira e domingo das 10h às 18h, sexta e sábado das 10h às 22h. A entrada é gratuita.

Museu do Futebol

Praça Charles Miller, s/ nº, Pacaembu (zona oeste).

Quando: Quinta-feira, sábado e domingo das 10h às 17h, sexta das 9h às 16h. Ingressos: R$ 10 (R$ 5 a meia-entrada).

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