'Mataram minha mãe e mais 46 mil eleitores', diz filha de Marielle

Irmã da vereadora também se manifestou e afirmou que parlamentar foi executada

Luyara Santos, filha da vereadora Marielle Franco (PSOL), se manifestou sobre a morte da mãe, assassinada a tiros na noite de quarta-feira (14) no Rio, em uma rede social.

"Mataram minha mãe e mais 46 mil eleitores", escreveu a estudante de 19 anos. Marielle foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016.

"Nós seremos resistência porque você foi luta. Te amo", escreveu ainda Luyara com a hashtag #mariellevive.

Já a irmã da parlamentar, Anielle Silva, declarou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo não ter dúvidas de que a vereadora do PSOL foi executada. "Só não sei de onde veio", disse em relação à autoria do crime.

Professora de Inglês de 33 anos, Anielle mantinha contato quase diário com a irmã de 38. Ela garante nunca ter ouvido qualquer relato de ameaça à vereadora, mesmo depois de entrar na comissão que acompanha a intervenção federal no Rio de Janeiro. "Nem eu, nem a equipe dela. Ela estava muito tranquila em relação a tudo", comenta. "Ela não tinha medo."

Para a professora, o assassinato deve ter sido planejado recentemente. "Acho que foi algo tão rápido que não teve nem tempo de fazer ameaça", afirma.

Família de Marielle Franco
Marielle com a família; a irmã aparece no seu lado direito (Foto: reprodução/Facebook)

Marielle voltava para sua residência na Tijuca, na zona norte do Rio, quando foi morta a tiros. Segundo Anielle, a irmã tinha a preocupação em encerrar os eventos cedo, antes das 21 horas, mas não por causa da própria segurança, mas das demais mulheres que participavam dos encontros.

As duas irmãs cresceram no Complexo da Maré, também na zona norte, onde ainda tem familiares e na qual foram criadas pela mãe, a advogada Marinete Silva. São elas, mãe e irmã, que estão cuidando da única filha da vereadora, Luyara Santos.

Anielle soube da morte da irmã por amigos, que viram as primeiras notícias do assassinato nas redes sociais. "Já estava público (o assassinato). Eu estava colocando a minha filha para dormir", lembra ela. Após a notícia, ela foi até a cena do crime e, na manhã desta quinta-feira (15), foi ao Instituto Médico Legal (IML) liberar o corpo.

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Morte

Marielle morreu após ser baleada na noite da quarta-feira (14) no bairro do Estácio, na capital fluminense. A parlamentar estava em um carro quando foi abordada por homens armados. O motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, foi atingido e também morreu. Uma assessora de Marielle foi ferida de raspão. Os criminosos conseguiram fugir.

A Divisão de Homicídios trabalha com a hipótese de execução. Nove tiros foram disparados contra o carro.

infografico marielle fracoArte Estado

Marielle, que era militante do movimento negro, voltava de uma roda de conversa com mulheres negras no bairro da Lapa quando, de acordo com testemunhas, teve o carro emparelhado por outro veículo, de onde partiram os tiros.

Eleita com 46,5 mil votos, a vereadora era socióloga e mestra em administração pública, e ficou conhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos e na luta por melhorias nas políticas públicas para as favelas do Rio de Janeiro. Nos últimos dias, ela postou mensagens nas redes sociais denunciando a violência policial no Rio.

"Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", escreveu no Facebook. Ela também chamou o 41º Batalhão da Polícia Militar de "Batalhão da Morte" por causa de denúncias de crimes no bairro de Acari. Marielle era crítica da intervenção militar do Governo Federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

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