Assassinato da vereadora Marielle deve dificultar a intervenção no Rio

Ação é vista como uma afronta às autoridades, para mostrar que nada pode deter os criminosos

Dar uma resposta rápida e eficiente ao brutal assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) tornou-se o mais imediato desafio da intervenção federal na segurança pública do Rio. Apresentada como "jogada de mestre" pelo governo federal, a ação decidida em Brasília completa nesta sexta-feira, 16, um mês sem apresentar resultados expressivos. E, agora, com um crime brutal e de repercussão internacional para resolver. A ação dos bandidos, segundo especialistas, é vista como uma afronta às autoridades, para mostrar que nada pode detê-los.

"Há grande perplexidade em todos nós, mas talvez esse crime seja o grande divisor de águas da intervenção", diz o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) Felipe Santa Cruz. "Todo assassinato é grave, mas, quando matam uma ativista do tamanho de Marielle, só há dois caminhos: reafirmar que vivemos em uma democracia plena, onde as instituições funcionam, ou seguir o caminho de tantos outros países do continente, com instituições fragilizadas, e onde militantes são executados no meio da rua impunemente."

Pesquisadora da violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Alba Zaluar vê o crime como uma tentativa de afronta às forças de segurança. "Com muita audácia, esse assassinato é uma forma de tentar sabotar a intervenção, além de chocar a população. O que apavora é a generalidade da vingança contra quem não fez nenhum mal diretamente reconhecível aos assassinos", afirma. "Escolheram a vítima para causar impacto. E conseguiram."

A criminalista Maíra Fernandes, da Comissão da Mulher do Instituto dos Advogados do Brasil e parceira de militância de Marielle há quase 20 anos, demonstra ceticismo. "Um crime bárbaro, contra uma vereadora, no Rio, após ela ter denunciado, sábado passado (10), a atuação da PM (Polícia Militar) na favela de Acari. O que a intervenção vai fazer?", questiona, em referência à publicação nas redes sociais da vereadora. Na internet, a vereadora também vinha se posicionou contra o uso das Forças Armadas na segurança.

Governo

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, deu entrevista na noite da última quinta-feira, 15, no Centro Integrado de Comando e Controle do Rio. Perguntado se achava que o crime poderia simbolizar fracasso da intervenção, ele reagiu, mas reconheceu dificuldades. "A intervenção nunca se propôs a fazer mágica", declarou. "A intervenção se propôs a trabalho, trabalho e trabalho. A intervenção, até aqui, tem procurado fortalecer e reestruturar as polícias."

Ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun disse que o episódio "é mais uma evidência" de que o governo federal "está no caminho certo" ao decretar a medida.

Em nota, o interventor federal, general Walter Braga Netto, afirmou repudiar "ações criminosas como a que culminou na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes". Ainda segundo a nota, ele acompanha o caso em contato permanente com o secretário de Segurança, general Richard Nunes.

Na quinta-feira, militares repetiram o procedimento das últimas semanas: foram à comunidade do Viradouro, em Niterói, na Grande Rio, que foi cercada e teve desobstruídas vias antes bloqueadas por traficantes. A ação repetiu o que foi feito várias vezes na favela Vila Kennedy, zona oeste carioca, onde os bandidos restabelecem as barreiras após o fim das operações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhar

Deixe seu comentário