Avô de Isabella Nardoni é citado em novo depoimento

Funcionária do sistema prisional diz que Anna Jatobá confessou a participação do sogro no crime

Uma funcionária do sistema prisional de São Paulo procurou o Ministério Público para depôr sobre o assassinato da menina Isabella Nardoni - jogada do sexto andar de um prédio da capital paulista pelo próprio pai há seis anos. Segundo o depoimento, o avô da menina, Antônio Nardoni, também teve participação no crime.

A funcionária conheceu Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella e condenada pelo morte da menina, na cadeia de Tremembé em 2008. Segundo reportagem exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, Anna Carolina teria contado à funcionária que foi Antônio Nardoni quem teve a ideia de simular que a morte da menina aconteceu de forma acidental. 

"Eu ouvi da boca dela, falou para mim, olho no olho", disse a funcionária à reportagem. Anna Jatobá teria contado que bateu com força na enteada dentro do do carro, no caminho do supermercado para casa, porque a menina "não parava de encher o saco".

Anna Jatobá e Alexandre Nardoni, pai de Isabella, teriam pensado que a menina tivesse morrido no carro, após a pancada da madrasta. Quando chegaram em casa, ela ligou para o sogro, contou o que tinha acontecido e pediu ajuda.  

“Ela (Anna Jatobá) falou para o sogro que matou a menina e ele (Antônio Nardoni) falou: ‘Simula um acidente, senão vocês vão ser presos’. Aí, tiveram a ideia de jogar a menina pela janela. O Alexandre só jogou a filha, porque acreditava que ela estivesse morta. Ele entrou em choque depois que jogou, acreditando que estava morta. Desceu e a menina estava viva”, contou a funcionária ao programa. 

Na época do crime, em março de 2008, houve a quebra do sigilo telefônico do casal Nardoni. Anna Jatobá e sogro conversaram por 32 segundos por volta das 23h51min. As investigações do Ministério Público e da polícia, no entanto, mostraram que a ligação teria sido feita depois de Isabella ter sido jogada do prédio. 

Com a nova versão do caso, o promotor de Justiça Francisco Cembranelli disse que agora será preciso apurar se havia um outro telefone, além do verificado durante as investigações. O depoimento da funcionária do sistema prisional deve ser analisado nesta semana pela promotora que hoje cuida do caso. 

Policiais devem ouvir novamente Anna Jatobá, o avô Antônio Nardoni e a funcionária que prestou o depoimento. 

Questionada pela reportagem sobre as causas da madrasta de Isabella ter escondido a participação do sogro, a fucnionária respondeu: "ele sustenta ela, a família toda, os filhos dela. Com certeza, é pelo silêncio dela. Ela recebe muita coisa de fora, vários tipos de queijos, brincos. O colchão que ela dorme é especial. Foi presente do Seu Nardoni para ela, porque estava dando problema na coluna dela o colchão da penitenciária". 

Já sobre revelar a história somente seis anos depois que ouviu de Anna Jatobá, a funcionária respondeu que "não sabia um meio legal de denunciar sem me comprometer".  

Oficialmente, Alexandre Nardoni e Anna Jatobá nunca assumiram o crime. Segundo eles, um ladrão invadiu o apartamento da família e matou Isabella. Eles foram julgados em 2010. A madrasta foi condenada a 26 anos e o pai a 31 anos de prisão.

Procurado para falar sobre a nova testemunha, Antônio Nardoni negou que tenha orientado a nora a simular o crime. 

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