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Atualizado em quarta-feira, 13 de setembro de 2017 - 14h08

OAB suspende carteira de Marcelo Miller

O ex-procurador é suspeito de atuar para o grupo J&F, enquanto ainda era servidor público
A suspensão cautelar da carteira de advogado vale pelo período de 90 dias. / (Foto: Christiano Pinho) A suspensão cautelar da carteira de advogado vale pelo período de 90 dias. (Foto: Christiano Pinho)

A Ordem dos Advogados do Brasil suspendeu nesta quarta-feira (13), na seccional do Rio de Janeiro, o registro de advogado do ex-procurador da República Marcelo Miller. O presidente do Conselho Federal da OAB, Cláudio Lamachia, informou que a decisão tem como base o não cumprimento dos três anos de quarentena para advogar após deixar o cargo de procurador.

Miller deixou o Ministério Público Federal em abril para trabalhar no escritório Trench, Rossi e Watanabe, que representava a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, nas negociações do acordo de leniência do grupo.

A irregularidade se soma a acusação da Procuradoria Geral da República de que Miller teria atuado para o grupo ainda como procurador. Ele teria negociado o acordo de colaboração premiada para delatores da J&F. O MPF chegou a essa conclusão após ter acesso a áudios em que executivos da JBS citam Miller como alguém que poderia aproximá-los da PGR, já que ele trabalhou com o atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entre 2014 e 2016, nas investigações da Lava Jato. A defesa do ex-procurador nega a acusação e afirma que o pedido de suspensão está em desacordo com o estatuto da OAB. Segundo o comunicado, uma sessão especial precisaria ser realizada assegurando o direito de defesa do ex-procurador, que sequer teria sido notificado.

A suspensão cautelar da carteira de advogado vale pelo período de 90 dias, prazo que a Ordem acredita ser suficiente para a conclusão do processo disciplinar do Tribunal de Ética da OAB/RJ que apura a conduta do ex-procurador. Em último caso a carteira dele pode ser cassada.