Tamanho de fonte
Atualizado em terça-feira, 14 de novembro de 2017 - 20h27

Rio deixou de arrecadar R$ 183 bilhões devido à corrupção

Montante daria para pagar cinco folhas do funcionalismo
Segundo a investigação, Picciani recebeu mais de R$ 58 milhões de propina / (Foto: Agência Brasil) Segundo a investigação, Picciani recebeu mais de R$ 58 milhões de propina (Foto: Agência Brasil)

O Rio de Janeiro deixou de arrecadar R$ 138 bilhões em impostos, em um período de cinco anos, por causa do esquema de corrupção que envolve a cúpula da Alerj e governos fluminenses.

A conta é da força-tarefa da Lava Jato que deflagrou hoje (14) a Operação Cadeia Velha. A ação levou o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e outros caciques do PMDB do Rio para prestar depoimento coercitivamente.

O montante, em renúncia fiscal com colaboração do grupo, seria capaz de pagar os salários de todos os servidores e aposentados por mais de cinco ano. A previsão de gastos no Rio este ano, o orçamento, é de quase R$ 78 bilhões.

Segundo a investigação, Picciani recebeu mais de R$ 58 milhões em propina entre 2010 e 2015, da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado. O Ministério Público Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 150 milhões das contas do peemedebista.

Os deputados estaduais Edson Albertassi, líder do governo na Alerj, e Paulo Melo, além da esposa de Albertassi, Alice Brizzola, também foram alvo de mandado de condução coercitiva. O MPF também determinou o bloqueio dos bens de Melo, em R$ 100 milhões, e de Albertassi, em R$ 8 milhões.

Segundo os investigadores, os parlamentares usavam os cargos públicos na Alerj para beneficiar empresas de transporte do estado, recebendo propina em troca.

Ainda nesta semana, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região deve analisar se vai determinar a prisão preventiva dos investigados.

O empresário Jacob Barata Filho, o Rei do Ônibus, e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transporte do Estado Lélis Teixeira foram presos preventivamente. Eles haviam sido soltos em agosto por determinação do STF, um mês após terem sido presos na Operação Ponto final. No total foram expedidos dez mandados de prisão, sendo quatro temporárias. Uma delas é contra o filho de Picciani, Felipe Picciani, que comanda os negócios da família na agropecuária.

O MPF aponta que Jorge Picciani e Paulo Melo multiplicaram seus patrimônios inúmeras vezes e não a toa trabalhavam com gado, pois é um mercado onde a fiscalização para evitar a lavagem de dinheiro é falha.

A indicação de Albertassi, feita pelo governador Luiz Fernando Pezão, foi suspensa pela Justiça após contestações de que a escolha deveria ser técnica e não política.

Em nota, a defesa de Jacob Barata afirma que vai tentar restabelecer a decisão anterior do Supremo para que ele responda em liberdade.

Já Jorge Picciani afirma que a prisão de seu filho serviu apenas para atingi-lo e a considerou uma covardia.

O deputado Paulo Melo se coloca a disposição da justiça e diz que não tem nada a esconder de sua vida política.