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Atualizado em quinta-feira, 11 de janeiro de 2018 - 18h24

Sobrevivente da tragédia em Mariana passa por mais um drama

Lavrador tentou sorte no Rio, mas teve pertences removidos pela prefeitura

Com a casa tomada pela lama e a horta do quintal destruída pelo rompimento da barragem da Samarco, o lavrador Joaquim André, de 50 anos, saiu de Minas Gerais para tentar a sorte no Rio de Janeiro, mas encontra dificuldade para retomar a vida.

Ele chegou a viver na Ladeira dos Tabajaras, mas deixou a comunidade da Zona Sul e há um ano e quatro meses morava em uma construção abandonada embaixo da Ciclovia Tim Maia, na orla de São Conrado.

Nesta quinta-feira (11), André perdeu tudo mais uma vez. Com a justificativa que o espaço demolido, em 2015, é considerado impróprio para habitação, a Prefeitura do Rio removeu todos os pertences do mineiro.

Estacionados na Avenida Niemayer, dois carros lotados da Companhia de Limpeza recolheram um colchão, algumas bicicletas, canos, pedaços de ferro e até um fogão. Todo patrimônio conquistado nesse período.

Emocionado, Joaquim André fala que apenas queria um lugar para sobreviver.

Uma moradora da comunidade do Vidigal, próxima ao local, conta que sempre via o lavrador no terreno e tentou ajudá-lo a cuidar da área abandonada.

De acordo com Subsecretaria de Infraestrutura, existe um decreto que torna a região um espaço não edificante e por este motivo não é possível a permanência de moradores no local.

Ainda segundo a prefeitura, assistentes sociais ofereceram inserir o mineiro no programa de aluguel social, além de uma vaga em algum abrigo do município, mas Joaquim André recusou e disse que vai tentar começar outra vez.