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Atualizado em segunda-feira, 20 de março de 2017 - 19h35

Consumidores relatam preferir comprar carne em açougues

Na última semana, a Operação Carne Fraca deflagrou diversas fraudes na indústria da carne
De acordo com a Associação Gaúcha dos Supermercados, consumo não diminuiu / Free Images De acordo com a Associação Gaúcha dos Supermercados, consumo não diminuiu Free Images

Em pesquisa pelos principais supermercados de Porto Alegre, o relato dos consumidores era o mesmo: não comprei carne aqui. A Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira, descobriu um esquema no qual fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o MAPA, liberavam licenças de funcionamento para frigoríficos sem nenhum tipo de fiscalização, permitindo a venda de carnes impróprias para consumo.

 

Algumas das empresas envolvidas são de grande expressão no País, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, dona da Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas. Ainda, irregularidades são apontadas em frigoríficos menores dos estados do Paraná e São Paulo.

 

Mesmo assim, o doutor em microbiologia em alimentos e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Eduardo César Tondo ressalta que o produto mais confiável permanece sendo aquele reconhecido no mercado.

 

“O consumidor fica desconfiado porque estão sendo divulgados nomes de empresas extremamente reconhecidas. O consumidor dificilmente vai conseguir detectar uma fraude porque são muito bem elaboradas. É uma posição difícil”, disse Tondo.

 

A Associação Gaúcha dos Supermercados afirma que, em um primeiro momento, não há migração de marca para marca ou queda na procura de carnes. A AGAS acredita que não deve haver impacto no mercado interno.

 

No entanto, os consumidores que conversaram com a reportagem relataram evitar comprar carne em supermercados e migrar para açougues. Um deles é o enfermeiro Gabriel Becker: “Eu prefiro comprar em açougue porque a carne aparentemente é mais fresca.”

 

Um outro questionamento que se repete é sobre a qualidade das carnes. A manicure Ana Lúcia Araújo revela sua estratégia para escolher o produto: “A gente tenta saber qual é melhor, procurar a mais vermelha, não tão escura.”

 

O método de Ana Lúcia está dentro das recomendações do doutor de microbiologia da UFRGS: “Evitar as carnes excessivamente vermelhas ou excessivamente escuras. A carne escura indica que o armazenamento é mal feito. Já a carne à vácuo é mais escurecida”, completou.

 

Mesmo em meio à Operação, o professor Eduardo Tondo defende a indústria da carne brasileira, como uma das melhores do mundo. Ele afirma que, por exemplo, os índices de salmonella são menores que cinco por cento, e que a bactéria não oferece risco se a carne é cozida em alta temperatura. O professor ainda ressalta que, caso o consumidor perceba qualquer problema em algum produto, ele deve entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor e fazer uma denúncia.