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Atualizado em quarta-feira, 13 de setembro de 2017 - 08h36

Prefeitura busca com ONU parcerias para gestão da orla

O plano de concessão estabelece uma área no Parque da Harmonia para uso como estacionamento, que tem sido criticado pela oposição
Obra está mais de 80% concluída / PMPA / Divulgação Obra está mais de 80% concluída PMPA / Divulgação

Para evitar que a orla do Guaíba revitalizada dê prejuízo, seja vandalizada ou se deteriore sem manutenção após a obra ficar pronta, no mês que vem, a Prefeitura de Porto Alegre assinou ontem um memorando com o Unops (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, na sigla em inglês) para estudos de gestão dos equipamentos. O objetivo é encontrar mais opções para manter o local, projetado pelo arquiteto Jaime Lerner, ao custo de R$ 65 milhões.

 

O acordo não substitui, a princípio, o plano de concessão de uma área no Parque da Harmonia para uso como estacionamento, que tem sido criticado pela oposição ao governo do prefeito Nelson Marchezan Júnior na Câmara Municipal.

 

O secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, rechaçou que exista qualquer polêmica na criação de um estacionamento no parque. Até porque, reforça, esse estacionamento já existe. “O pessoal está achando que vai ser construído um prédio-garagem. Não vejo razão para polêmica. Hoje, no local já é cobrado para estacionar para o Acampamento Farroupilha. Basicamente, é usar aquele espaço que já é utilizado por veículos”, explica.

 

Os motivos da cedência de um estacionamento à iniciativa privada no Harmonia passam pela falta de linhas de ônibus que passem pela Beira-Rio, a insegurança à noite e a necessidade de levar público à orla para gerar renda aos bares e restaurantes que ocuparão a área. “Isso vai permitir que os bares tenham movimento”, diz Vanuzzi.

 

A consultoria da ONU deverá ter algum custo ao município. No entanto, são valores já previstos no contrato com a CAF (Corporação Andina de Fomento), que financiou a obra, segundo o secretário. “É uma rubrica para assistência técnica disponível para ser utilizada”, aponta.

 

As fontes de renda para manter a orla deverão ser três: o estacionamento, a locação de bares e restaurantes e o uso do atracadouro junto ao Gasômetro. Mas tudo pode mudar com o acordo com o Unops. Vanuzzi cita elementos que faltam no projeto original e que poderiam ser exemplos de novidades se a ONU concordasse em seus estudos, como um espaço kids ou um cachorródromo. Quanto à segurança, o certo é que haverá uma central da Guarda Municipal bem na curva da Edvaldo Pereira Paiva em direção à Rótula das Cuias.

 

Pipoca gourmet

 

O vereador Marcelo Sgarbossa (PT) tem sido o porta-voz da oposição contra o projeto de estacionamento no Harmonia. Ele concorda que a frequência tem que ser alta na área, mas afirma que é errado pensar primeiro na opção do automóvel. Uma alternativa seria ampliar as linhas de transporte público. Ele também levanta a dúvida sobre o preço que teriam os restaurantes e bares da região, comparando com a venda de pipoca gourmet a R$ 10 no lugar das antigas carrocinhas da Beira-Rio. Mas tem esperança na entrada da ONU no caso. “É melhor discutir no âmbito da ONU, onde se tem uma visão do espaço público como um direito, do que botar em uma lógica mercadológica.”