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Atualizado em terça-feira, 14 de novembro de 2017 - 15h48

Lava Jato: combate a cultura da impunidade

Procurador da Lava Jato, Carlos Fernando Santos Lima afirma que é preciso combater as culturas da não investigação que ainda existem no país
Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima / Reprodução/Facebook Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima Reprodução/Facebook

A terça-feira (14) começou com mais uma fase da operação Lava Jato comandada pela Polícia Federal. Chamada de Cadeia Velha, a ação levou para depor o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Jorge Picciani, do PMDB, e o filho dele Felipe Picciani, além de outros políticos e empresários cariocas. 

 

Iniciada há mais de três anos, a operação Lava Jato já indiciou centenas de políticos brasileiros acusados de envolvimento de corrupção em empresas públicas, como Petrobras e Eletrobrás.

 

Em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o procurador da Lava Jato, Carlos Fernando Santos Lima, disse que apesar do sucesso da operação, os movimentos de deputados para derrubar a possibilidade de cumprimento de pena após condenação em segunda instância podem trazer uma mensagem negativa para a sociedade.

 

 “É uma conquista da sociedade o fato de conseguirmos punir criminosos do colarinho branco. E agora que estamos perto de alcançar isso, há uma tendência de se mudar a jurisprudência e isso implicaria em uma mensagem muito negativa para a população”, afirma o procurador.

 

O procurador Carlos Fernando Santos Lima disse ainda que é preciso combater as culturas da não investigação e da impunidade que existem na sociedade brasileira e que a Lava Jato deve ser um exemplo a ser seguido.

 

“O que nós temos que pensar é que o importante não é o nome “Lava Jato” e sim espalhar esse método de investigação profunda para os diversos ramos do Ministério Público Federal e Estaduais. O importante mesmo é nós disseminarmos uma cultura, que se mude a questão do foro privilegiado, que se mantenha a decisão da condenação em segunda instância, e isso tudo é fundamental para se firmar a cultura de combate a corrupção”, explica.

 

Sobre a possível delação de Antônio Palocci, o procurador afirma que as exigências para fazer um acordo neste momento são grandes.

 

“O importante, eu creio, é que as exigências que eram feitas pela equipe anterior vão ser mantidas pela atual equipe, no sentido de que haja uma comprovação efetiva de qualquer colaboração dos fatos. Não podemos hoje aceitar colaborações com menor capacidade probatória. Quando se está no começo de uma investigação, você tem um nível menor de exigências, mas atualmente temos um nível muito alto”, relata Santos Lima.

 

Pela fase Cadeia Velha, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, quatro de condução coercitiva, além 35 mandados de busca e apreensão.  No total, a Operação Lava Jato já cumpriu mais de mil mandados.