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Atualizado em segunda-feira, 16 de abril de 2018 - 15h29

Arquiteto detalha projeto em memória da tragédia da kiss

O concurso já escolheu o responsável por elaborar o projeto do memorial da tragédia: Felipe Motta
O arquiteto que fará o projeto sozinho planeja ir à Santa Maria nos próximos meses / Wilson Dias/Agência Brasil O arquiteto que fará o projeto sozinho planeja ir à Santa Maria nos próximos meses Wilson Dias/Agência Brasil

O concurso realizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, o IAB, escolheu o responsável por elaborar o projeto do memorial da tragédia na Boate Kiss, na cidade de Santa Maria, região central gaúcha no ano de 2013: Felipe Motta, paulista, de 30 anos, acompanhou a tragédia pela televisão, mas se lembra bem da comoção que o incêndio e a morte de 242 jovens causaram.

 

Este sentimento que ele buscou colocar no projeto: Um memorial de um pavimento apenas. O arquiteto fala sobre o conceito que vem sendo trabalhado neste desenho. Uma faixada pesada, para que não se esqueçam o que aconteceu lá.

 

“A gente tem um muro alto, com uma passagem central. Ele pode ser angustiante. Ele remete ao luto, que é algo que nunca vai deixar de existir, mas a ideia é justamente uma aproximação. A partir do momento que alguém ver esse muro, ela vai relembrar de toda a tragédia”, explica Felipe Motta.

 

Após esta faixada, vem o contraste: um jardim, com flores. Suspenso por 242 peças de madeira, representando o número de vidas perdidas na tragédia. Em volta deste jardim, serão construídos memoriais educativos, a sede da Associação das Vítimas de Santa Maria e um auditório para mais de 100 pessoas. A construção será toda em círculos, para que a visão seja sempre panorâmica.

 

“O círculo é uma forma que não tem lados, então você sempre está olhando para o jardim, mas ao mesmo tempo vai estar olhando para outra pessoa. A partir do momento que você for ver essa pessoa na mesma situação que você, vocês se conhecem e se confortam. Essa é a ideia, trazer conforto mesmo para o visitante”.

 

Na primeira imagem do projeto, se questionou o fato da presença de apenas uma porta de entrada e saída: sem as devidas saídas de emergência para caso de incêndio. Felipe, explica que estes detalhes mais executivos do projeto, ainda não foram apresentados e que devem ser projetados a partir da apresentação oficial do conceito do memorial, que deve acontecer no fim de abril.

 

“No concurso, a gente tinha que mostrar todas nossas ideias em apenas uma prancha, então não tinha espaço para desenvolver tudo que deve ser pensado para o projeto. Agora sendo contratado o projeto executivo, a gente vai desenvolver todas as disciplinas, entre elas a de projeto de prevenção e combate ao incêndio”.

 

O arquiteto que fará o projeto sozinho planeja ir à Santa Maria nos próximos meses. A viagem servirá para que ele converse com familiares da tragédia, capte o sentimento da comunidade. Além disso, é claro: Felipe pretende visitar o local do incêndio. Onde no futuro estará o memorial.