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Sobre o autor

Mariana Mazza, A jornalista Mariana Mazza, especialista em telecomunicações, traduz, explica e comenta um dos setores que mais cresce no Brasil, mas que ainda se mantém tão distante dos consumidores. Há 10 anos acompanhando o setor de infraestrutura, Mariana Mazza, iniciou carreira na Anatel, mas logo mudou de lado do balcão e passou a se dedicar à cobertura do segmento no grupo Gazeta Mercantil, escrevendo para a Agência InvestNews e para os jornais Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil. De lá, seguiu para o Correio Braziliense, onde, além da cobertura das telecomunicações, continuo acompanhando os diversos setores da infraestrutura brasileira, como energia, transportes e aviação. Voltou às origens ao reforçar a equipe do noticiário especializado Teletime News/Telaviva News, onde passou a se dedicar exclusivamente à apuração dos meandros dos serviços de telefonia, TV por assinatura, banda larga e televisão no Brasil. Atualmente é editora nacional da Band em Brasília e comentarista da BandNews e da Rádio Bandeirantes.

por: Mariana Mazza

03/08/2012 18:09

Operadoras voltam a vender celulares. Mas a qualidade melhorou?

Ontem à noite o comando da Anatel anunciou o fim da suspensão das vendas das operadoras TIM, Oi e Claro. A derrubada da medida cautelar, que durou 11 dias, teve efeito imediato e hoje mesmo as companhias já voltaram a oferecer seus serviços. Segundo os técnicos da Anatel, os planos apresentados pelas operadoras para melhorar a qualidade da oferta no país prevê investimentos de R$ 20 bilhões até 2014. Ainda de acordo com a agência reguladora, R$ 4 bilhões serão aplicados para corrigir as falhas identificadas pela área técnica na rede. Assim, a punição dada às teles teria gerado um desembolso (ou a promessa, ao menos) de R$ 4 bilhões. Mas, o fim dessa novela decepcionou.

Na prática, não parece existir dinheiro novo nos planos de investimento apresentados pelas teles. A TIM, por exemplo, encaminhou um fato relevante à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esclarecendo que já projetava um investimento de R$ 9,5 bilhões até 2014, valor abaixo do divulgado pela Anatel, de R$ 8,2 bilhões. Também informou que já aplicou R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre deste ano e que, após a cautelar, "redistribuiu o investimento" realocando R$ 451 milhões para melhorias na qualidade. Ou seja, ela está tirando dinheiro de um projeto e colocando em outro.

Ainda assim é uma boa notícia saber que as companhias irão investir mais em qualidade. Mas, para ter um serviço que funcione bem para os consumidores é necessário investir muito em projetos técnicos, de integração de redes e ampliação da infraestrutura. Como a Anatel ainda não divulgou os planos de investimento como havia prometido, só nos resta torcer para que essas realocações não comprometam ainda mais a prestação do serviço.

Mas fica a pergunta: e a qualidade, nesses dias, melhorou? Obviamente não. Nesses 11 dias nada mudou para o consumidor, que continuou enfrentando problemas para completar chamadas e interrupções nas ligações. Isso não significa que a ação mais dura da Anatel foi totalmente inócua. Mas quem contava com uma melhoria imediata no serviço não deve estar nem um pouco feliz. A medida da agência, buscando investimentos mais fortes das companhias, tem efeito de longo prazo, na melhor das hipóteses. A própria agência admitiu que os impactos dos investimentos antecipados devem começar ser sentidos apenas daqui há seis meses. Melhoria total da qualidade da rede, só em 2014.

Como boa parte do setor já previa, a Anatel liberou as vendas a tempo de as empresas se prepararem para o Dias dos Pais, no próximo dia 11. O comando da agência não tocou no assunto, como se tudo não passasse de coincidência. Em assuntos econômicos é improvável que a proximidade com a data comercial não tenha influenciado a nova decisão da Anatel. As três operadoras tiveram grandes prejuízos financeiros com a suspensão das vendas. E fazê-las sofrer o impacto de perder uma grande data de vendas poderia ser um golpe forte demais para um setor que precisa que as empresas invistam mais dinheiro.

A Anatel garantiu que irá fiscalizar com rigor a aplicação de recursos prometida pelas companhias. Prometeu ainda que, se a prestação do serviço não apresentar melhora, irá lançar mão novamente da suspensão das vendas. Por ora, resta ao consumidor continuar reclamando. E torcer para que tudo isso não tenha sido em vão.

 

Enquanto isso, na Telebrás...

Ao mesmo tempo em que as operadoras celulares respiram aliviadas, a Telebrás está passando por um momento bastante sombrio. Ontem à noite dois diretores deixaram a companhia. Pediram exoneração o diretor técnico Vilmar José Pereira da Silva e o diretor comercial Rogério Boros. Ambos alegaram "motivos pessoais" para deixar a companhia.

Nos bastidores, comenta-se que Boros e Silva não estavam mais confortáveis dentro da empresa e frequentemente discordavam da gestão da estatal. O intrigante é que ambos foram escolhidos pelo próprio presidente Caio Bonilha, daí a expectativa geral de que a diretoria estivesse de acordo com o modelo de gestão adotado. Enquanto as vagas não são preenchidas, a diretoria da Telebrás contará apenas com Bolivar Tarragó Moura Neto. Tarragó já responde hoje por três importantes áreas da estatal no comando da Diretoria de Administração, Financeiro e de Relações com Investidores.