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Atualizado em quinta-feira, 3 de maio de 2012 - 06h12

Dilma quer apoio político para mudar poupança

Governo quer evitar migração de investidores de fundos para a caderneta com a redução da taxa de juros
Dilma quer sólido apoio para fazer mudanças na poupança / Andre Dusek/Agência Estado/AE Dilma quer sólido apoio para fazer mudanças na poupança Andre Dusek/Agência Estado/AE

 

A presidente Dilma Rousseff aguarda somente a confirmação de que terá apoio político para mudar as regras da caderneta de poupança. A cautela é para afastar de vez o fantasma do confisco que assombrou os brasileiros em 1990. Por causa do ano eleitoral, a medida só vai adiante com um apoio maciço dos deputados e senadores. A base aliada no Congresso vai ser consultada hoje, durante a reunião do Conselho Político, no Palácio do Planalto.

Serão apresentadas pelo menos três propostas: trocar o índice de correção da poupança de TR (Taxa Referencial), calculada a partir da média de taxas bancárias, pela taxa básica de juros; aplicar o rendimento pela Selic sobre saldos acima de R$ 50 mil; ou permitir que as instituições financeiras invistam ganhos da poupança em títulos da dívida pública, o que hoje é proibido.

As novas regras surgem em função da queda da taxa Selic para 9% ao ano, com a sinalização do Banco Central de baixar a taxa para 8% ainda no primeiro semestre.

A redução poderia provocar a migração dos investidores de fundo de renda fixa para a poupança, que tem um rendimento mensal fixo de 0,5%, sem taxas ou Imposto de Renda. “A medida protege o pequeno aplicador, que representa 99% dos investidores que usam a poupança apenas para guardar o dinheiro”, avalia o tributarista Amir Khair.

Depois de mexer na poupança, o governo quer evitar sair com a imagem arranhada, principalmente na classe média. E trabalha para divulgar os benefícios da decisão na oferta de crédito imobiliário. Hoje, quase 70% dos recursos da poupança vão obrigatoriamente para a casa própria. “A redução de juros vai forçar queda nos empréstimos e se refletir de forma atrativa no preço da parcela do imóvel”, diz João Carlos Almeida, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças.