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Atualizado em sexta-feira, 7 de abril de 2017 - 16h52

Governo recalcula meta de déficit primário para 2018 de R$ 129 bi

Estava previsto um rombo de R$ 79 bilhões
Em julho de 2016, a previsão de crescimento era de 1,6% neste ano, mas agora passou para 2,5 / Marcello Casal Jr/Agência Brasil Em julho de 2016, a previsão de crescimento era de 1,6% neste ano, mas agora passou para 2,5 Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, informou  nesta sexta-feira (7) que o governo projeta um déficit primário de R$ 129 bilhões em 2018 e um crescimento do PIB de 2,5%. A revisão para um déficit maior era considerada necessária para garantir credibilidade à política fiscal diante do cenário menos favorável de receitas do que o estimado inicialmente.

Anteriormente estava previsto um rombo de R$ 79 bilhões. Será o quinto ano em que a União fecha com as contas no vermelho gastando mais do que arrecada.

“As previsões decorrem de efeitos da crise de 2016, 2015 na economia. São efeitos defasados, principalmente na arrecadação”, disse Meirelles, segundo quem "há um compromisso de reduzir o déficit de 2018".

Com isso, o valor da meta primária de 2018 fica muito próximo do déficit de R$ 139 bilhões esperado para o governo central neste ano. Depois de fixar uma meta negativa em R$ 170,5 bilhões para 2016, a equipe econômica sempre destacou a necessidade e o compromisso com a redução do déficit público ano a ano.

Para 2019, a previsão também é de um avanço de 2,5% do produto interno bruto. Só em 2020 é que o resultado primário voltará ao azul, com superávit esperado de R$ 10 bilhões.


Recuperação econômica

O economista e consultor em contas públicas Amir Khair avalia que o governo está mais uma vez jogando para frente a recuperação econômica do Brasil.

Em entrevista à BandNews FM, ele lembra que em 2016 já se falava que o seria ano de plena recuperação, mas o ritmo foi mais lento do que o imaginado.

Amir Khair defende que, embora o governo tenha reduzido despesas, a equipe econômica não tem preparo econômico suficiente para evitar perdas na arrecadação.

Ainda em 2017

Neste ano já houve dificuldade para fechar as contas. Apesar de a meta fiscal de 2017 admitir um déficit de R$ 139 bilhões, o governo identificou um rombo de R$ 58,2 bilhões no Orçamento e precisou tomar medidas duras para garantir o cumprimento da meta.

Entre elas estão a reoneração da folha de pagamentos, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as cooperativas de crédito e um corte de nada menos que R$ 42,1 bilhões em despesas previstas até dezembro.

Sem as medidas, o déficit do governo central este ano seria maior que o saldo negativo de R$ 154,2 bilhões registrado no ano passado.


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