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Atualizado em domingo, 14 de maio de 2017 - 14h58

China quer reviver a Rota da Seda

Gigante asiático considera iniciativa o "projeto do século"
Xi Jinping ergue um brinde aos participantes do Fórum do Cinturão, que conta com quase 30 chefes de estado / Wu Hong/Reuters Xi Jinping ergue um brinde aos participantes do Fórum do Cinturão, que conta com quase 30 chefes de estado Wu Hong/Reuters

Em seu discurso de abertura no Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional neste domingo, o presidente chinês, Xi Jinping, disse que a iniciativa proposta pela China de promover investimentos em infraestrutura em países da Ásia, Europa e África que integram o trajeto da milenar Rota da Seda, é um “projeto do século” que vai beneficiar as pessoas em todo o mundo.

A iniciativa chinesa visa promover uma rede de infraestrutura, comércio e cooperação econômica ao longo dos mais de 60 países que compõem o que Pequim pretende estabelecer como uma Nova Rota da Seda, revivendo no século 21 as rotas milenares que conectavam o Ocidente e o Oriente.

O evento em Pequim, que começou neste domingo e que conta com a presença de quase 30 chefes de Estado e de governo, é o mais importante desde que a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (One Belt, One Road) foi lançada em 2013 pelo presidente Jinping.

O fórum tem por objetivo construir uma agenda comum e acordos de cooperação para aumentar o investimento em projetos de infraestrutura em países da Ásia, da Europa e da África.

Capital de R$ 125 bilhões

O presidente Jinping anunciou que a China fará uma contribuição adicional de cerca de US$ 14,5 bilhões (R$ 45 bilhões) para o Fundo da Rota da Seda, criado em 2014 para apoiar obras de transporte, telecomunicações e energia, cujo capital inicial era de US$ 40 bilhões (R$ 125 bilhões).

Dois bancos chineses estabelecerão esquemas de financiamento especial com valor total de US$ 55,1 bilhões para apoiar os projetos de cooperação do Cinturão e da Rota, segundo Jinping.

A China também prometeu destinar US$ 8,7 bilhões (R$ 27,1 bilhões) aos países em desenvolvimento e às organizações internacionais que participam da iniciativa.

Participação global

Apesar de a proposta estar originalmente focada na Eurásia e na África, Jinping afirmou que outras regiões do mundo estão convidadas a participar da iniciativa. O líder chinês defendeu a integração dos mercados, a abertura comercial e o fortalecimento do sistema multilateral mundial com o objetivo de diminuir a desigualdade social, promover o desenvolvimento e aumentar a segurança e a paz internacionais.

“Devemos instaurar uma nova postura nas relações internacionais, de mútua cooperação e benefícios compartilhados”, disse Xi Jinping. “Este é um caminho de abertura para o mundo e não de isolamento”, afirmou o presidente, enfatizando que a comunidade internacional deve procurar resolver os conflitos por meio do diálogo.

Jinping destacou que a China não tem a intenção de interferir nos assuntos internos de outros países ou impor sua vontade a outras nações com a nova iniciativa. “Não queremos criar um pequeno grupo de amigos em detrimento da estabilidade [mundial]”, acrescentou.

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