Tamanho de fonte
Atualizado em domingo, 18 de julho de 2010 - 17h04

Controlando 66% da renda familiar, mulheres equilibram diferença de salário

Por trás de tudo o que consome uma família há o bolso de uma mulher ou seu aval. Um estudo recente do Sophia Mind, instituto de pesquisa e inteligência de mercado feminino, apontou que as mulheres controlam 66% de toda a renda familiar. Com isso, até equilibram a disparidade entre os salários femininos e masculinos. “Ela tem nas mãos toda a administração do salário dela, mais uma parte do salário do homem destinada aos gastos familiares”, explica Bruno Maletta, sócio-diretor da Sophia Mind.

Com o poder de decisão de como são gastos R$ 1,3 trilhão dos R$ 1,972 trilhão movimentados pelas famílias em 2009, a mulher brasileira representa o 10º maior mercado feminino do mundo. Este é o item com maior predominância no PIB (Produto Interno Bruto), chegando a 62,9% no ano passado.

Bruno Maletta conta que há 15 anos o salário de uma mulher era 30% do ordenado do homem. Hoje subiu para 70%. Mesmo com o avanço, a distância ainda é grande, mas elas conseguem encurtar essa diferença, pois controlam mais do que recebem.  Enquanto os homens gastam R$ 699,42 bilhões, as mulheres gastam R$ 799,97 bilhões. A diferença não seria tão gritante se não fossem os R$ 503,01 bilhões que estão sob controle feminino.

Em termos globais, saem dos bolsos das mulheres cerca de R$ 20 trilhões. Esta quantia é, segundo o instituto, mais do que o dobro do mercado de Índia e China juntos.

Mulheres decidem da alimentação aos eletrônicos

O Sophia Mind analisou quatro grupos de mercado, que juntos somam 79% do consumo familiar. Os outros 21% são gastos com impostos e serviços públicos, e não envolvem decisão de compra. Divididos em quatro grupos, segundo o grau de influência das mulheres, ficou provando que os homens não são soberanos nem quando o assunto é carro ou roupas masculinas.

“Com o crescimento de renda, elas passaram a gastar mais com mercados femininos. E entraram em mercados masculinos, como automóveis, compra e manutenção. Não existe um mercado em que o homem decide praticamente tudo”, afirma Maletta. Quando são produtos específicos para elas e para os filhos, as mulheres controlam 83% das decisões de compra. Aqui incluído o item alimentação familiar, cuja escolha parte em 82,3% das vezes da mulher.

E são delas 67% das escolhas quando o assunto é lazer, entretenimento, saúde e serviços para a família. A participação recua para 53% quando são gastos relacionados a serviços bancários e compra de eletrônicos.

Um terço dos gastos com carro é de mulheres

As mulheres invadem até o último reduto de consumo masculino. Controlam 36% dos gastos no segmento de serviços automobilísticos, cuidados pessoais masculinos e manutenção de aparelhos domésticos. “O homem só controla os setores que dependem do conhecimento técnico”, declara Maletta. Elas só não fincam o pé neste terreno com mais força porque têm medo de ser enganadas quanto ao diagnóstico em uma borracharia ou uma assistência técnica.

“É engraçado que você olha até no setor de vestuário masculino, as mulheres têm metade das decisões. Tem muita campanha publicitária de roupa masculina que é feita pra mulher”, diz. Além de decidir o que comem, as mulheres, em 51,22% das vezes, decide o que vestem também.