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Atualizado em sexta-feira, 31 de março de 2017 - 17h05

Enem: Literatura não tem lista de obras obrigatórias

No entanto, o hábito da leitura deve ser cultivado, tanto para as questões da disciplina quanto para relacioná-la em perguntas interdisciplinares
Vestibulando deve entender período histórico em que obra foi escrita / Reprodução/Unsplash Vestibulando deve entender período histórico em que obra foi escrita Reprodução/Unsplash

Diferente de outros vestibulares, o Enem não tem uma lista de obras literárias obrigatória para a prova de Literatura. A escolha reflete o objetivo do exame, que, muito mais do que cobrar conteúdo, avalia habilidades e competências do estudante. “O que o aluno precisa entender é que o texto será sempre ponto de partida para questões mais amplas”, explica Danislau, professor do Cursinho CPV.

Mas isso não significa que a disciplina tenha uma importância menor ou que seu estudo seja simplificado. Pelo contrário, o aluno precisa ter a perspicácia de perceber tudo que um texto está dizendo.

Nesse sentido, a literatura deve ser estudada enquanto arte, notando que todo texto diz muito mais do que aparenta estar dizendo. “No parnasianismo, quando lemos a descrição de um lustre, o que temos que ver é a valorização da objetividade e saber o porquê dessa valorização”, destaca Danislau.

Para isso, não tem segredo, apenas trabalho duro. “O aluno precisa estar familiarizado com os estilos e conseguir fazer pontes com outras disciplinas, e isso só é possível com o hábito da leitura”, diz Danislau. E, aqui, chegamos novamente à lista de obras.

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Apesar de não serem obrigatórias, todo aluno deveria conhecer as referências incontornáveis de cada Escola Literária: Luís de Camões, Gregório de Matos, José de Alencar, Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Guimarães Rosa são alguns dos autores que valem uma leitura detalhada.

E por leitura detalhada entende-se, a partir do livro, observar o período no tempo e no espaço em que ele foi criado. Captar qual era o momento histórico, quais eram os valores sociais da época, qual a visão de mundo predominante, quais eram os problemas de saúde mais críticos, como as pessoas lidavam com questões de gênero, enfim, usar o texto para se transportar para a situação do próprio autor.

“Só assim o estudante conseguirá, a partir do texto literário, fazer conexões com disciplinas como Filosofia, Sociologia, História e Geografia mostrando habilidades exigidas pelo Enem”, finaliza Danislau.

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