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Atualizado em quinta-feira, 27 de abril de 2017 - 16h23

Enem: confira o processo de correção da redação

Sabia que corretores só aceitam até dois desvios na norma culta da língua?
Exame é porta de entrada para várias instituições públicas e privadas / Agência Brasil Exame é porta de entrada para várias instituições públicas e privadas Agência Brasil

Cada texto produzido no Enem passa por, pelo menos, dois corretores. Se houver discrepância entre as notas, vai para um terceiro, podendo chegar a até cinco avaliadores.

“Mesmo passando por um treinamento intenso, é possível que duas pessoas diferentes tenham dois olhares distintos para uma mesma questão”, diz Maria Teresa Nastri de Carvalho, professora do cursinho CPV que já foi corretora em processos seletivos da PUC, da Vunesp e do próprio Enem.

No processo de correção, o primeiro passo é saber se a produção está adequada para ser avaliada. Ou seja: se tem mais de sete linhas, se a letra está legível, se não há cópias dos textos motivacionais e se não há trechos desconectados intencionalmente - como bilhetes para o corretor ou ainda pedidos a Deus para ajudar na nota. A presença de qualquer um desses quatro itens zera a nota da redação e o texto sequer é avaliado.

Após essa triagem, o corretor passa a olhar as competências. A primeira, que avalia o conhecimento da norma culta, é a que torna a nota mil quase inacessível. Para conseguir os 200 pontos, o aluno pode ter, no máximo, dois desvios e eles não podem ser da mesma natureza. Por exemplo, no texto inteiro o aluno pode ter um erro de colocação de vírgula e um de crase. Se forem duas vírgulas ou duas crases, já começa a ser descontado.

A segunda competência, que examina a capacidade de o aluno desenvolver o texto dentro da estrutura demandada e de compreender o tema proposto, também pode zerar o texto. “É muito comum o estudante chegar no dia com um tema pronto na cabeça, torcer um texto para encaixá-lo e ser punido por fugir ao tema”, conta Maria Teresa.

Os próximos itens avaliados são a seleção e hierarquização de dados, que são as referências para a argumentação, responsáveis por dar coerência ao texto. Em seguida, olha-se a coesão do texto, em que quanto mais variados forem os mecanismos de conexão, mais bem avaliado será o candidato. Por último, mas não menos importante, vem a proposta de intervenção. “O aluno precisa pensar e dar uma sugestão possível, nomeando o agente de transformação e explicando como ele vai agir para solucionar o problema”, diz Maria Teresa.

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