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Atualizado em sexta-feira, 5 de maio de 2017 - 14h39

Mãe acusa escolas de recusarem filho autista

Fernanda Poli diz que seu filho passou um tempo no ambiente escolar e só foi avisada de que não havia vaga após falar da condição especial
As escolas se defendem dizendo que trabalham com educação inclusiva / Free Images As escolas se defendem dizendo que trabalham com educação inclusiva Free Images

A publicitária Fernanda Poli acusa duas escolas particulares de São Paulo de terem recusado a matrícula do filho dela, Miguel, de 3 anos, que tem autismo de grau leve. As negativas teriam vindo da Escola Morumbi, em Moema, e da Escola Viva, na Vila Olímpia, ambas na Zona Sul da cidade.

Nos dois casos, Fernanda contou que o filho chegou a passar algum tempo no ambiente escolar e ela só foi avisada de que não havia vaga para ele depois que falou da condição especial dele.

Uma lei nacional de 2015 diz que pessoas com deficiência devem ter direito a um "sistema educacional inclusivo em todos os níveis de aprendizado ao longo de toda a vida" e que nenhum estabelecimento pode recusar uma criança com qualquer tipo de deficiência. Porém, de acordo com a advogada Camila Cavalcante Varela Guimarães, também mãe de um menino autista, as recusas são comuns e fazem com que as mães sintam que seus filhos foram discriminados.

Para a psicóloga e colunista da BandNews FM Rosely Sayão, o problema vai além do que está previsto da lei: falta preparo de professores e das escolas para lidar com o tema.

Em nota, ambas as escolas procuradas por Fernanda negaram terem se recusado a matricular Miguel por ele ter autismo.

A Morumbi diz ser conhecida justamente por ter um caráter inclusivo e afirma que houve um mal-entendido. Já a Viva afirma que o período da tarde, procurado pela publicitária, estava com todas as vagas preenchidas e tinha dois alunos em situação de inclusão na mesma turma. Segundo a escola, Fernanda contou que não poderia matricular o filho de manhã por causa do valor da mensalidade.

A Diretoria Regional de Ensino Centro-Oeste, responsável pela supervisão das duas escolas, recebeu a denúncia, deu início a uma apuração de responsabilidades e pediu esclarecimentos.

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