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Atualizado em segunda-feira, 12 de junho de 2017 - 14h32

Professores analisam segunda fase da Unesp

Ao todo, 7.275 candidatos fizeram as provas do vestibular
Resultado final será divulgado em 10 de julho / Unsplash/Divulgação Resultado final será divulgado em 10 de julho Unsplash/Divulgação

Ao todo, 7.275 candidatos fizeram as provas da segunda fase da Universidade Estadual Paulista (Unesp) neste domingo, que seleciona para 360 vagas em Engenharias Agronômica (Ilha Solteira e Registro), Ambiental (Sorocaba), Aeronáutica (São João da Boa Vista), Civil (Ilha Solteira), de Controle e Automação (Sorocaba), de Produção (Bauru), Elétrica (Ilha Solteira) e Mecânica (Ilha Solteira). Com isso, o índice de abstenção chegou a 18,9%.

Para o coordenador do Sistema CPV, vários fatores podem diferenciar os candidatos. “Como a nota de corte da primeira fase não foi muito alta, quem estiver no topo da lista entra com boa vantagem na segunda fase”, explica. Dentre as provas, Antonello avalia que a de Filosofia e a de História podem ter apresentado mais dificuldade aos alunos, mesmo assim em questões específicas.

Humanidades

O professor de História do Cursinho CPV, Tiago Rozante, concorda. Para ele, o item que abordou o pan-africanismo a partir de um trecho do discurso do imperador etíope Haile Salassie foi o que mais exigiu dos alunos. Rozante ainda destaca que das quatro quest?os, três abordaram temas de importância social, como os direitos femininos, a segregação racial e a criação da Constituição “Cidadã” de 1988, que traria mais direitos aos brasileiros após a ditadura.

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A prova de Geografia, por sua vez, foi bastante tranquila. Para o professor Adriano Baroni, a Unesp seguiu a tradição de fazer uma prova objetiva, mesclados assuntos tradicionais da prova com atualidades, abordando os elementos básicos de cada tópico. “Como sempre, a prova trouxe bastante recursos visuais, como mapas e gráficos”, comenta. Para ele, nenhum dos temas - blocos econômicos, atividade industrial brasileira, impacto do envelhecimento da população e placas tectônicas - apresentou alguma complicação.

Ciências da Natureza e Matemática


As provas de Química e Física também não fugiram do que a Unesp costuma pedir. A de Física manteve a característica do exame aplicado no final de 2016, com um uma questão de Mecânica, uma de Termologia e uma de Eletricidade. Para o professor Ricardo Meca, estudar pelos vestibulares passados é bastante eficaz. “A questão de termodinâmica desse ano foi muito parecida com a de dezembro de 2016; o conceito de movimento circular havia sido cobrado em dezembro de 2016 e junho de 2015 e a última questão é bem parecida com uma da Fuvest 2013”, aponta. A prova de Química focou em assuntos básicos e bastante tradicionais, como conceito de estequiometria, termoquímica e funções orgânicas. “Certamente foi um exame tranquilo, sem dificuldades para os candidatos preparados”, diz Armando Muller, professor do Cursinho CPV.

A prova de Biologia exigiu um nível alto de conhecimentos dos aluno, abordando conteúdos compatíveis com o currículo do Ensino Médio, porém em nível aprofundado. “A questão que trabalhou os conceitos relativos aos hormônios e função hepática, por exemplo, exigiu a habilidade de leitura e análise de gráfico”, pontua o professor de Biologia Guilherme Schatzer.

A prova de Matemática, embora com características diferentes da prova de 2016, trouxe conteúdos bem trabalhados ao longo do Ensino Médio, como conceitos básicos em Geometria Plana e Trigonometria, função do segundo grau e função do primeiro grau com construção de gráfico. Para o professor Geraldo Akio Murakami, as questões foram claras, diretas e com linguagens precisas. “Acredito que a prova cumpriu com a finalidade de selecionar os alunos mais capacitados”, avalia.


Segundo dia


No domingo os alunos responderam as questões de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Redação.

A prova de Inglês apresentou dois textos, ambos publicados nos primeiros meses de 2017, sobre o mesmo assunto: a situação dos moradores de rua. O primeiro, publicado na Reuters, falava do Brasil e o segundo, publicado no The Guardian, da Inglaterra. As questões trabalharam em cima das diferenças e similaridades nos dois países. “Não acredito que os alunos possam ter encontrado maiores dificuldades, pois a partir da leitura dos textos, torna-se fácil a localização e identificação das respostas cobradas”, diz Sergio Klass, professor de InglÊs do Cursinho CPV.

Já a prova de Língua Portuguesa, embora a primeira fase tenha explorado questões conceituais, a segunda fase seguiu o padrão das provas escritas dos anos anteriores: foco em questões de análise textual, cobrando do candidato alta capacidade de leitura, percepção de relações extratextuais e aplicação do conhecimento de mundo. Para o professor de Língua Portuguesa Caco Penna, as questões envolvendo a canção “Deus lhe pague”, de Chico Buarque, exigiram alto grau de atenção do candidato. “Além da leitura da letra, era preciso ter conhecimentos do contexto histórico que a envolveu”, analisa.

As questões de Literatura facilitaram a vida dos alunos que se prepararam para a Fuvest no ano anterior. Isso porque os trechos escolhidos são de três obras que constam na lista obrigatória para a USP: Iracema, de José de Alencar, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Para o professor de Literatura Danislau, todas as perguntas foram de fácil resolução para quem estudou as características dos movimentos baseado em obras centrais. “As questões não chegam a ser clichês, mas são bem previsíveis, o que é bem melhor que perguntas que se pretendem originais e acabam sendo despropositadas”, avalia.

Redação


Para propor o tema “Prisão especial para portadores de diploma: afronta à constituição?”, a Vunesp expôs quatro textos de apoio. Dois eram fragmentos de legislação, um da própria Constituição, que trata dos direitos iguais a todos, sem distinção, e outro do Código Penal, que lista cargos e critérios para o direito a prisão especial. Os outros dois texto eram textos assinados, um com argumentos a favor do direito à prisão especial e outro com visão contrária.

Para a professora Maria Teresa Nastri de Carvalho, a argumentação quanto ao respeito à constituição poderia ser pautada nos três textos seguintes, entretanto com mais dados nos dois últimos textos. De acordo com ela, o texto 3, apesar de apresentar o posicionamento de duas pessoas de notório saber que defendem a prisão especial, traz a questão dos autores do texto quanto à real possibilidade de qualquer pessoa no país poder cursar uma faculdade, um dos argumentos expostos.


Para o ex-professor de direito, a pessoa que se diplomou deveria ter um tratamento especial, por ser mais sensível ao sofrimento do cárcere. Para o ex-procurador da justiça, essa prisão não se contrapõe à constituição, tendo em vista estarem abertos os caminhos do estudo para qualquer um. O texto 4 é ainda mais crítico, cujo autor é reconhecido por um posicionamento progressista, que não só discorda da prisão especial, como julga um pensamento limitador o de quem atribua superioridade à pessoa com diploma de licenciatura ou de bacharel.

“A discussão proposta é muito importante, atual e pertinente, entretanto, até certo ponto surpreendeu, pelo fato de ser uma prova para ingresso em uma instituição pública e no momento turbulento pelo qual passa o país, o tema possivelmente pode ser atrelado a acusações que envolvem políticos de muitos partidos, incluindo siglas de políticos que estão no poder”, analisa Maria Teresa. De acordo com ela, é bastante esperado que o candidato estabeleça relação entre a prisão especial e as pessoas alvos de delações premiadas e a questão do foro privilegiado, assuntos na pauta diária de todos os jornais.

O resultado final do vestibular da Unesp será divulgado em 10 de julho, uma segunda-feira.