Professores analisam segunda fase da Unesp

Ao todo, 7.275 candidatos fizeram as provas do vestibular

Ao todo, 7.275 candidatos fizeram as provas da segunda fase da Universidade Estadual Paulista (Unesp) neste domingo, que seleciona para 360 vagas em Engenharias Agronômica (Ilha Solteira e Registro), Ambiental (Sorocaba), Aeronáutica (São João da Boa Vista), Civil (Ilha Solteira), de Controle e Automação (Sorocaba), de Produção (Bauru), Elétrica (Ilha Solteira) e Mecânica (Ilha Solteira). Com isso, o índice de abstenção chegou a 18,9%.

Para o coordenador do Sistema CPV, vários fatores podem diferenciar os candidatos. “Como a nota de corte da primeira fase não foi muito alta, quem estiver no topo da lista entra com boa vantagem na segunda fase”, explica. Dentre as provas, Antonello avalia que a de Filosofia e a de História podem ter apresentado mais dificuldade aos alunos, mesmo assim em questões específicas.

Humanidades

O professor de História do Cursinho CPV, Tiago Rozante, concorda. Para ele, o item que abordou o pan-africanismo a partir de um trecho do discurso do imperador etíope Haile Salassie foi o que mais exigiu dos alunos. Rozante ainda destaca que das quatro quest?os, três abordaram temas de importância social, como os direitos femininos, a segregação racial e a criação da Constituição “Cidadã” de 1988, que traria mais direitos aos brasileiros após a ditadura.

Leia também: Vestibulando tem de se preparar para maratona literária

A prova de Geografia, por sua vez, foi bastante tranquila. Para o professor Adriano Baroni, a Unesp seguiu a tradição de fazer uma prova objetiva, mesclados assuntos tradicionais da prova com atualidades, abordando os elementos básicos de cada tópico. “Como sempre, a prova trouxe bastante recursos visuais, como mapas e gráficos”, comenta. Para ele, nenhum dos temas - blocos econômicos, atividade industrial brasileira, impacto do envelhecimento da população e placas tectônicas - apresentou alguma complicação.

Ciências da Natureza e Matemática

As provas de Química e Física também não fugiram do que a Unesp costuma pedir. A de Física manteve a característica do exame aplicado no final de 2016, com um uma questão de Mecânica, uma de Termologia e uma de Eletricidade. Para o professor Ricardo Meca, estudar pelos vestibulares passados é bastante eficaz. “A questão de termodinâmica desse ano foi muito parecida com a de dezembro de 2016; o conceito de movimento circular havia sido cobrado em dezembro de 2016 e junho de 2015 e a última questão é bem parecida com uma da Fuvest 2013”, aponta. A prova de Química focou em assuntos básicos e bastante tradicionais, como conceito de estequiometria, termoquímica e funções orgânicas. “Certamente foi um exame tranquilo, sem dificuldades para os candidatos preparados”, diz Armando Muller, professor do Cursinho CPV.

A prova de Biologia exigiu um nível alto de conhecimentos dos aluno, abordando conteúdos compatíveis com o currículo do Ensino Médio, porém em nível aprofundado. “A questão que trabalhou os conceitos relativos aos hormônios e função hepática, por exemplo, exigiu a habilidade de leitura e análise de gráfico”, pontua o professor de Biologia Guilherme Schatzer.

A prova de Matemática, embora com características diferentes da prova de 2016, trouxe conteúdos bem trabalhados ao longo do Ensino Médio, como conceitos básicos em Geometria Plana e Trigonometria, função do segundo grau e função do primeiro grau com construção de gráfico. Para o professor Geraldo Akio Murakami, as questões foram claras, diretas e com linguagens precisas. “Acredito que a prova cumpriu com a finalidade de selecionar os alunos mais capacitados”, avalia.


Segundo dia

No domingo os alunos responderam as questões de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Redação.

A prova de Inglês apresentou dois textos, ambos publicados nos primeiros meses de 2017, sobre o mesmo assunto: a situação dos moradores de rua. O primeiro, publicado na Reuters, falava do Brasil e o segundo, publicado no The Guardian, da Inglaterra. As questões trabalharam em cima das diferenças e similaridades nos dois países. “Não acredito que os alunos possam ter encontrado maiores dificuldades, pois a partir da leitura dos textos, torna-se fácil a localização e identificação das respostas cobradas”, diz Sergio Klass, professor de InglÊs do Cursinho CPV.

Já a prova de Língua Portuguesa, embora a primeira fase tenha explorado questões conceituais, a segunda fase seguiu o padrão das provas escritas dos anos anteriores: foco em questões de análise textual, cobrando do candidato alta capacidade de leitura, percepção de relações extratextuais e aplicação do conhecimento de mundo. Para o professor de Língua Portuguesa Caco Penna, as questões envolvendo a canção “Deus lhe pague”, de Chico Buarque, exigiram alto grau de atenção do candidato. “Além da leitura da letra, era preciso ter conhecimentos do contexto histórico que a envolveu”, analisa.

As questões de Literatura facilitaram a vida dos alunos que se prepararam para a Fuvest no ano anterior. Isso porque os trechos escolhidos são de três obras que constam na lista obrigatória para a USP: Iracema, de José de Alencar, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Para o professor de Literatura Danislau, todas as perguntas foram de fácil resolução para quem estudou as características dos movimentos baseado em obras centrais. “As questões não chegam a ser clichês, mas são bem previsíveis, o que é bem melhor que perguntas que se pretendem originais e acabam sendo despropositadas”, avalia.

Redação

Para propor o tema “Prisão especial para portadores de diploma: afronta à constituição?”, a Vunesp expôs quatro textos de apoio. Dois eram fragmentos de legislação, um da própria Constituição, que trata dos direitos iguais a todos, sem distinção, e outro do Código Penal, que lista cargos e critérios para o direito a prisão especial. Os outros dois texto eram textos assinados, um com argumentos a favor do direito à prisão especial e outro com visão contrária.

Para a professora Maria Teresa Nastri de Carvalho, a argumentação quanto ao respeito à constituição poderia ser pautada nos três textos seguintes, entretanto com mais dados nos dois últimos textos. De acordo com ela, o texto 3, apesar de apresentar o posicionamento de duas pessoas de notório saber que defendem a prisão especial, traz a questão dos autores do texto quanto à real possibilidade de qualquer pessoa no país poder cursar uma faculdade, um dos argumentos expostos.


Para o ex-professor de direito, a pessoa que se diplomou deveria ter um tratamento especial, por ser mais sensível ao sofrimento do cárcere. Para o ex-procurador da justiça, essa prisão não se contrapõe à constituição, tendo em vista estarem abertos os caminhos do estudo para qualquer um. O texto 4 é ainda mais crítico, cujo autor é reconhecido por um posicionamento progressista, que não só discorda da prisão especial, como julga um pensamento limitador o de quem atribua superioridade à pessoa com diploma de licenciatura ou de bacharel.

“A discussão proposta é muito importante, atual e pertinente, entretanto, até certo ponto surpreendeu, pelo fato de ser uma prova para ingresso em uma instituição pública e no momento turbulento pelo qual passa o país, o tema possivelmente pode ser atrelado a acusações que envolvem políticos de muitos partidos, incluindo siglas de políticos que estão no poder”, analisa Maria Teresa. De acordo com ela, é bastante esperado que o candidato estabeleça relação entre a prisão especial e as pessoas alvos de delações premiadas e a questão do foro privilegiado, assuntos na pauta diária de todos os jornais.

O resultado final do vestibular da Unesp será divulgado em 10 de julho, uma segunda-feira. 

Compartilhar

Deixe seu comentário