Resultado sepulta discurso do golpe e consolida hegemonia Temer

Para ministro-chefe da Casa Civil, população apoia a premissa básica do governo

Da Redação com Estadão Conteúdo - 31/10/2016 - 05:53

Partidos que formam a base do governo de Michel Temer conquistaram a maioria das prefeituras neste segundo turno (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

O Palácio do Planalto avaliou que o resultado das eleições municipais legitima o governo do presidente Michel Temer (PMDB). 

Para o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, a ampla vitória de partidos da base aliada dá fôlego às medidas da equipe econômica do governo e “sepulta” as contestações à gestão que assumiu após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). 

“Essa eleição sepulta qualquer tipo de contestação, seja sob o ponto de vista institucional, de legitimidade, ou de programa de governo”, afirmou Padilha. 

O ministro rebateu críticas da oposição de que o atual programa de Temer não foi aprovado pelos eleitores quando o então candidato à vice-presidente se elegeu, juntamente com Dilma. Na opinião de Padilha, as eleições municipais podem ser entendidas também como uma aprovação ao governo federal.

“Onde mora o cidadão? É no município. A sociedade, ao votar maciçamente nos candidatos do governo, está mostrando que apoia as iniciativas que foram tomadas”, disse. “Essa é a manifestação do cidadão.”

Ele criticou os partidos de oposição e ressaltou que o PT perdeu espaço em prefeituras e câmaras municipais nesta eleição. “Em que pese todo o discurso que os partidos de oposição utilizaram rebatendo as medidas do governo, o resultado nas urnas foi altamente negativo para eles e, por consequência, muito positivo para o governo”, disse.

O ministro disse que o resultado demonstra que a população apoia a premissa básica do governo Temer, que segundo ele, é limitar as despesas e parar o endividamento. “Os brasileiros viram que o Brasil não tem uma outra alternativa”, afirmou. 

A avaliação de Padilha coincide com a de outros membros do núcleo político do governo. Uma preocupação do Planalto era que a votação e aprovação da PEC do Teto na Câmara dos Deputados, na reta final do segundo turno das eleições, tivesse impacto negativo nas campanhas dos candidatos governistas às prefeituras. 

Segundo o ministro da Casa Civil, o apoio da população é essencial para o governo federal manter a base coesa na segunda fase da votação da PEC do Teto - em novembro, desta vez no Senado. 

“Todos tomaram a consciência de que os gastos do governo não podem ser desenfreados, não se pode sair aumentando a conta todo ano sem nenhuma responsabilidade”, disse.

A proposta vai tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e depois segue para o plenário. A votação em primeiro turno está marcada para o fim do próximo mês. A votação final está prevista para ocorrer em meados de dezembro.

Hegemonia Temer

Com a vitória em 12 das 18 capitais onde disputava o segundo turno, os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff e hoje formam a base do governo de Michel Temer conquistaram a maioria das prefeituras neste segundo turno.

O PSDB, legenda que mais cresceu nas eleições deste ano, também foi o que mais vitórias conquistou ontem, levando cinco das oito capitais em que disputava. 

Destaque para Porto Alegre, onde a sigla terá o comando da prefeitura pela primeira vez. Apesar do sucesso numérico, o partido perdeu em Belo Horizonte, quarto maior colégio eleitoral do País e crucial para os planos do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de viabilizar seu nome para a disputa presidencial de 2018.

O PMDB venceu metade das seis em que estava na disputa. Em Florianópolis, a vitória do peemedebista Gean Loureiro sobre Ângela Amin (PP) foi por pouco mais de mil votos. Também levou em Goiânia, com Iris Rezende, e Cuiabá, com Emanuel Pinheiro.

As outras vitórias vieram de partidos menores que também fazem parte da base aliada, como o PRB, que venceu no Rio, o PSD, eleito em Campo Grande (MS), e PPS, que administrará a capital capixaba, Vitória.

Oposição. Dos partidos hoje na oposição, o PDT venceu nas duas em que estava no páreo. Em Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio foi reeleito com 53,57% dos votos válidos. Sua vitória fortalece os planos nacionais do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), também pré-candidato ao Planalto.

O partido também conquistou a capital maranhense, onde o atual prefeito Edivaldo Holanda Júnior foi reeleito após desbancar o deputado estadual Eduardo Braide (PMN). O pedetista teve o apoio do PCdoB, do governador maranhense Flávio Dino. O PCdoB venceu em Aracaju, com Edvaldo Nogueira.

O PT, que disputava apenas Recife neste segundo turno, teve mais um revés com a reeleição de Geraldo Julio (PSB). Ele superou o ex-prefeito João Paulo na disputa.

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