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Atualizado em sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 - 17h43

Coreia: Kim Jong-Un manda executar seu tio

Morte de Jang Song-Thaek, anunciada nesta sexta-feira por Pyongyang, esconde uma instabilidade crônica no país dotado de uma bomba atômica
Acusações apresentadas contra Jang (foto) durante o julgamento são uma mostra de um reforço do culto à personalidade / YONHAP / AFP Acusações apresentadas contra Jang (foto) durante o julgamento são uma mostra de um reforço do culto à personalidade YONHAP / AFP

O líder máximo da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, eliminou seu tio e mentor com uma eficácia feroz. Mas esta punição, a mais violenta realizada nas altas esferas do Estado em décadas, seria um sinal de instabilidade ou, pelo contrário, de controle absoluto do jovem líder?

Para Cha Du-Hyeogn, da Fundação Coreana, a execução de Jang Song-Thaek, anunciada nesta sexta-feira por Pyongyang, esconde uma instabilidade crônica neste país dotado de uma bomba atômica.

"A Coreia do Norte precisa de um bode expiatório para se exonerar de todos os fracassos econômicos e políticos", afirmou o analista. "Mas, se a punição se estender, pode minar a base sobre a qual se apoia" Kim Jong-Un, que dirige o país desde dezembro de 2011, acrescentou.

Segundo declarações recolhidas pela agência oficial norte-coreana KCNA, Jang reconheceu durante seu julgamento "ter tentado atiçar as queixas do povo e do exército contra os fracassos do atual regime na gestão da situação econômica e dos meios de subsistência da população".

Com estas palavras ficam claros - embora de maneira indireta - os graves problemas econômicos do país.

Os especialistas também ressaltam a ferocidade do jovem Kim Jong-Un, de cerca de 30 anos, que submeteu seu tio à prisão, à humilhação pública - através da divulgação de fotos - e a um julgamento rápido que terminou em poucos dias com sua execução.

"É pouco comum que a execução de um líder de alto escalão seja realizada de maneira tão pública", explicou Yang Moo-Jin, da universidade de Seul. "O objetivo é incutir um terror máximo entre a população para garantir a lealdade em relação a Kim Jong-Un e consolidar o poder em suas mãos", acrescentou este especialista na Coreia do Norte.

As acusações apresentadas contra Jang durante seu julgamento - aplausos insuficientemente vigorosos durante os discursos de seu sobrinho, por exemplo - são uma mostra de um reforço do culto à personalidade, acrescentou Yang Moo-Jin.

Só restam dois do 'grupo dos sete'

Para Paik Hak-Soon, do Sejong Institute em Seul, o caso Jang mostra a consolidação de Kim no poder. "Kim está agora firmemente no timão", declarou o especialista, que não observa "nenhum sinal de instabilidade ou de pânico nas altas esferas" do Estado norte-coreano.

Ao descartar seu tio desta maneira, Kim Jong-Un projeta uma imagem "de líder que não teme eliminar qualquer eventual adversário", acrescentou Paik Hak-Soon.

Nos anos 1970, Kim Jong-Il, futuro líder da Coreia do Norte e pai de Kim Jong-Un, se desfez de um de seus tios, temendo que este se convertesse em um rival. Mas, no caso atual, além de ser de sua família, Jang Song-Thaek também foi o mentor de Kim Jong-Un durante o delicado período de transição, após a morte de seu pai.

Entre os sete funcionários de alto escalão que estavam junto ao jovem líder durante o funeral de seu pai, em dezembro de 2011, cinco foram afastados do poder. O grupo representava na época a elite que dirigia o país.

Os únicos que ainda restam, Kim Ki-Nam e Choe Tae-Bok, têm idade avançada e não possuem grande poder.

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