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Atualizado em sexta-feira, 21 de outubro de 2016 - 17h29

Hillary e Trump discordam sobre temas essenciais

No terceiro e último encontro, candidatos à presidência norte-americana discutem imigração, armas nucleares, terrorismo, misoginia e aborto
Donald Trump e Hillary Clinton no terceiro e último debate dos EUA / David Becker/Reuters Donald Trump e Hillary Clinton no terceiro e último debate dos EUA David Becker/Reuters

Os candidatos à presidência dos Estados Unidos, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, se encontraram pela terceira e última vez na Universidade de Nevada, em Las Vegas, no debate desta quarta-feira (19). Sem apertarem as mãos no início do encontro, eles se atacaram por diversas vezes ao comentarem temas importantes para o país, como a questão da imigração. 

 

O plano já conhecido de Trump em levantar um muro separando o país do México, a fim de evitar o ingresso de imigrantes ilegais, foi questionado. “Precisamos ter fronteiras sólidas; temos milhares entrando aqui com drogas na maior facilidade. Os policiais de fronteira querem fronteiras mais firmes. Precisamos desse muro. Há muitos ‘hombres’ [homens, em espanhol] ruins aqui e serão expulsos”, afirmou o magnata. 

 

Já Hillary citou uma mulher que ela conheceu cuja preocupação é que seus pais, mexicanos, sejam deportados. “Essas pessoas trabalham duro, fazem de tudo para ter uma boa vida e eu não quero dividir famílias. Meu plano inclui uma gestão nas fronteiras e deportar pessoas que são violentas. Somos uma nação de imigrantes e de lei, podemos agir de acordo com isso.”

 

A democrata falou ainda que pretende tirar os ilegais das sombras e colocá-los na economia do país. Por fim, ela provocou o adversário. “O Donald sabe disso muito bem porque ele usou imigrantes ilegais para construir a Trump Tower; não vamos deixar os empregadores explorarem os imigrantes ilegais como ele fez.” 

 

Analistas fazem balanço sobre debate; assista:

 

Trump desconversa sobre resultado de eleição 

 

Questionado se aceitaria ou não o resultado desta eleição nos Estados Unidos, que - segundo o republicano - está sendo articulada para favorecer sua adversária - Trump preferiu se esquivar da pergunta. 

 

"Vou responder isso na hora. Por enquanto vou manter o suspense", afirmou, deixando em aberto a possibilidade de recusar a decisão das urnas, caso seja derrotado. 

 

Rússia e armas nucleares 

 

A questão de uma possível cyber-espionagem feita pela Rússia para influenciar as eleições também foi levantada no debate. Ao falarem do presidente russo Vladmir Putin, os dois se provocaram. “Putin não respeita Obama e nem Hillary”, atacou Trump. “É porque Putin prefere ter uma marionete nas mãos”, respondeu a democrata. 

 

Trump disse ainda que o presidente russo é mais inteligente do que sua adversária, porque ele tem coragem de tomar decisões difíceis, como a que envolve as forças militares na Síria. Hillary falou então sobre armamento militar e citou as armas nucleares que o país possui. “Pensar que devemos usar essas armas só porque nós as temos, como Trump pensa, é horrível. Muitas pessoas que têm acesso aos códigos nucleares já disseram que jamais confiariam esses códigos a Trump”, afirmou Hillary. 

 

Misoginia

 

Mais uma vez os escândalos de misoginia e assedio sexual envolvendo Donald Trump virou tema de discussão no debate. Trump voltou a negar as histórias. “Essas mulheres queriam seus 15 minutos de fama ou então receberam dinheiro da campanha de Hillary para me difamar. Eu nem pedi desculpas para a minha mulher, porque eu não fiz nada”, defendeu-se. 

 

O mediador do debate chegou a questionar Hillary sobre os casos de escândalos sexuais envolvendo o marido dela, o ex-presidente Bill Clinton, mas ela fugiu da pergunta e atacou o adversário. “Quando Donald negou que fez o que fez com as mulheres, ele negou dizendo que elas não eram bonitas suficientes. Ele acha que menosprezar as mulheres faz com que ele seja maior”, disse a democrata. 

 

Estado Islâmico e Síria

 

Outro ponto essencial que está sendo debatido nos Estados Unidos é a questão do terrorismo envolvendo o grupo extremista Estado Islâmico e a Síria, país imerso em guerra civil. Para Trump, o ditador sírio Bashar al-Assad é “mais inteligente e rígido do que Barack Obama”. “Ele se aliou a Rússia e ao Irã, que hoje é um país poderoso. Enquanto isso, nós apoiamos os rebeldes, que nem sabemos ao certo quem são. Claro que o Assad é ruim, mas sem ele pode ficar ainda pior”, declarou o magnata.

 

Trump ainda culpou Hillary pela atual situação no país. “Se ela tivesse feito algo [como secretária de Estado], a situação lá poderia ser diferente. Foi ela quem causou essa onda migratória. São dezenas de milhares de refugiados sírios vindo para os EUA que, provavelmente, são aliados do Estado Islâmico. Será o maior cavalo de Troia da história.”

 

Já Hillary lembrou da foto do menino sírio ferido dentro de uma ambulância em Aleppo (“essa imagem me assombra até hoje”, disse) para falar do problema. “Não vou fechar as portas. Isso não resolve nossos problemas com o terrorismo. Precisamos trabalhar com os islâmicos contra a radicação. Alguns deles são norte-americanos. O atirador de Orlando nasceu no Queens, onde Trump nasceu, inclusive. É preciso deixar bem claro o que é essa ameaça e como vamos enfrentá-la”, concluiu a secretária. 

 

Porte de armas

 

A segunda emenda da Constituição americana garante aos cidadãos o direito de portar arma. Hillary afirmou que entende e respeita essa tradição. “Mas creio que devemos regulamentar isso. São 33 mil pessoas que morrem todos os anos por causa de armas, muitas delas, crianças. Precisamos ter checagens mais rígidas, acabar com as lacunas que existem nessas checagens. Essa reforma não entrará em conflito com a segunda emenda”, garantiu a democrata. 

 

Trump, por sua vez, que confirmou que recebe apoio da Associação Nacional do Rifle (NRA), disse que vai trabalhar pela defesa da segunda emenda. “Temos Chicago como exemplo. A legislação lá é das mais restritas e a violência com armas lá ocorre em maior número do que qualquer outra cidade.”  

 

Aborto

 

Os candidatos voltaram a discordar quando o assunto levantado foi o aborto, que é legalizado no país. Trump quer indicar ministros para a Suprema Corte que são contrários ao aborto. “Acho um absurdo arrancar o bebê do útero”, disse. 

 

Hillary, porém, vai defender que essa opção seja da mulher. “É uma decisão muito pessoal e difícil que a mulher precisa tomar em termos de saúde. Nós fomos longe demais para retroceder agora. Não acho que o governo deva interferir.”

 

Comparações

 

O magnata voltou a provocar a democrata ao questioná-la sobre o que teria feito em 30 anos na política. “Você não fez nada”, criticou Trump. Hillary fez, então, uma comparação da trajetória dos dois candidatos. “Enquanto eu trabalhei com crianças negras, você foi processado por discriminação racial. Enquanto eu trabalhava a favor dos direitos humanos, você estava xingando uma miss universo. Enquanto eu trabalhei supervisionando a operação que localizou o Bin Laden, você estava dando festas.”

 

Trump, por fim, rebateu. “Eu estava administrando uma empresa fantástica, que lucra bilhões. Se eu tocar esse país como toquei minha empresa, esse país vai te dar muito orgulho.” 

 

As últimas pesquisas eleitorais, divulgadas pelas CNN e NBC News, mostram Hillary na frente. Na da CNN, a democrata tem 47% das intenções de voto, e Trump, 39%; na sondagem da NBC News, feita com eleitores latinos, 67% declaram voto em Hillary, e só 17% no candidato republicano. As eleições norte-americanas acontecem no dia 8 de novembro. 

 

Assista ao debate completo, em partes:


Parte 1

 

Parte 2

 

Parte 3

 

Parte 4

 

Parte 5

 

Parte 6


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