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Atualizado em sexta-feira, 17 de março de 2017 - 22h55

Reunião evidencia distância entre Trump e Merkel

Em primeiro encontro na Casa Branca, chanceler alemã e presidente norte-americano discordaram em temas como imigração e globalização
Líderes tiveram reunião de 2h30 e depois seguiram para a coletiva de imprensa / Jonathan Ernst/Reuters Líderes tiveram reunião de 2h30 e depois seguiram para a coletiva de imprensa Jonathan Ernst/Reuters

Apesar do clima de cordialidade em frente às câmeras, a coletiva de imprensa conjunta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, evidenciou as discordâncias entre os líderes das duas maiores potências do mundo ocidental.

A conferência ocorreu na Casa Branca, em Washington, após uma reunião de aproximadamente 2h30 na sede do governo norte-americano. Trump recebeu Merkel com um sorriso e um rápido aperto de mãos, mas ignorou os pedidos dos fotógrafos para repetir o gesto no Salão Oval.

 

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Na coletiva de imprensa, o republicano reforçou sua posição contrária à imigração e aos mecanismos multilaterais, enquanto a alemã saiu em defesa da globalização e das políticas de acolhimento a solicitantes de refúgio.

"A imigração é um privilégio, não um direito", afirmou Trump, que recentemente assinou um novo decreto para proibir a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de seis países de maioria muçulmana: Síria, Iêmen, Irã, Sudão, Líbia e Somália. Destes, cinco - a exceção é o Irã - convivem com conflitos internos e são alguns dos principais geradores de refugiados no mundo.

"Devemos proteger nossas fronteiras, mas também precisamos olhar para os refugiados que fogem das guerras e da pobreza", rebateu Merkel. O presidente dos EUA também reiterou seu apoio à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas cobrou mais investimentos por parte dos outros membros da aliança.

"Os Estados Unidos têm sido tratados de maneira muito injusta por muitos, muitos países, e isso vai acabar", garantiu Trump, acrescentando que não é um "isolacionista". "Não sei que tipo de jornal você lê, mas essa história de eu ser 'isolacionista' é uma 'fake news'", disse o republicano a uma jornalista alemã, citando o termo "notícia falsa", que virou bordão de seus apoiadores para rebater a imprensa.

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Além disso, Trump afirmou que "uma América mais forte" é do interesse de "todo o mundo". "A globalização proporcionou muitos progressos, agora deve ser levada adiante da maneira justa", contemporizou Merkel, ressaltando que é melhor falar "um com o outro" do que "um do outro".

As diferenças entre eles também ficaram claras em outro momento, que era para ter sido uma brincadeira, mas não provocou risadas na chanceler. Perguntado sobre a suposta espionagem do governo Barack Obama à Trump Tower, denúncia já negada pela Comissão de Inteligência do Senado, o republicano respondeu: "Ao menos temos alguma coisa em comum. Talvez...". Merkel está entre as pessoas que foram monitoradas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) nos mandatos de Obama.

Esse foi o primeiro cara a cara entre os dois líderes, em um momento de especial tensão entre União Europeia e Estados Unidos. Defensor do "Brexit", Trump ensaia nomear para Bruxelas um embaixador contrário à própria existência do bloco. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, colocou o republicano na lista de principais "ameaças" à UE. 

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