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Atualizado em quarta-feira, 17 de maio de 2017 - 11h38

Gregos fazem greve nacional para exigir fim de austeridade

Manifestantes entraram em confronto com os policiais, que precisaram usar gás lacrimogêneo
Desemprego atinge quase uma de cada quatro pessoas no país / Alkis Konstantinidis/Reuters Desemprego atinge quase uma de cada quatro pessoas no país Alkis Konstantinidis/Reuters

Milhares de gregos largaram o trabalho e marcharam pelo centro de Atenas nesta quarta-feira, protestando contra mais medidas de austeridade exigidas por credores internacionais em troca da liberação de fundos de um pacote de socorro já programado. A polícia disparou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Alguns reagiram atirando fogos de artifício contra os policiais.

A greve foi convocada pelas principais centrais sindicais dos setores púbico e privado um dia antes de o Parlamento da Grécia votar reformas que ajudariam a desbloquear os fundos do socorro econômico de 86 bilhões de euros, o terceiro do país em sete anos.

Entre as novas medidas de austeridade atreladas à liberação dos fundos está o 13º corte nas pensões desde 2010 e uma redução nas deduções de imposto de renda livres de taxação. Elas vêm na esteira de anos de cortes que, durante algum tempo, mergulharam o país em uma recessão profunda.

O desemprego atinge quase uma de cada quatro pessoas, e entre os jovens chega a 48%.

Professores, médicos e advogados interromperam o trabalho, e o transporte público foi limitado em Atenas. Ao menos 14 mil pessoas foram às ruas em passeatas, de acordo com estimativas iniciais da polícia, incluindo muitos pensionistas.

Os manifestantes portavam cartazes dizendo "Não à austeridade, sim ao alívio da dívida!" e "Devolvam os direitos conquistados que vocês roubaram de nós!", e entoavam "Eles falam de perdas e ganhos e nós falamos de vidas humanas".

Alguns expressaram sua revolta com o governo de coalizão do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, cujo partido de esquerda Syriza venceu uma eleição prometendo encerrar os cortes.

"Eles nos disseram que iria acabar com a austeridade e rasgar os pacotes de socorro", disse Paraskevi Tsouparopoulou, de 62 anos. "Ao invés disso, causaram um desastre".

A Grécia concordou com novos cortes de gastos para encerrar um impasse nas conversas com seus credores estrangeiros a respeito do progresso de seu pacote de ajuda.

Assim que as novas medidas forem aprovadas pelos parlamentares gregos, como esperado, os ministros das Finanças da zona do euro irão debater o desembolso dos empréstimos na próxima reunião agendada do Eurogrupo, em 22 de maio.

Atenas precisa dos fundos urgentemente para ressarcir 7,5 bilhões de euros de uma dívida que vence em julho.

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