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Atualizado em domingo, 18 de junho de 2017 - 14h11

Portugal: moradores se recolhem após incêndio

Rádio e celular são os únicos meios de informação usados pela população
Chama é vista entre copas de árvores / Rafael Marchante/Reuters Chama é vista entre copas de árvores Rafael Marchante/Reuters

Sem sinal de internet ou televisão, o rádio e o celular são os únicos meios de informação utilizados pela população de Pedrógão Pequeno, vizinha à cidade de Pedrógão Grande, que foi atingida por um incêndio que matou mais de 60 pessoas em Portugal.

 

À BandNews FM, uma das moradoras da localidade, Olinda Brandão, conta que a orientação é que a população fique em casa para que não haja risco da inalação nociva de fumaça.

 

Professora de Geografia, Olinda conta ainda que tinha uma viagem planejada, mas não pôde sair da cidade também porque as estradas estão fechadas. A densa fumaça impede também a chegada de aviões que promoveriam auxílio aéreo.

 

Incêndio

 

Acredita-se que um raio tenha provocado o incêndio em Pedrógão Grande, depois que os investigadores encontraram uma árvore atingida durante uma tempestade "seca". Esse fenômeno ocorre quando a chuva evapora antes de atingir o solo devido às altas temperaturas. Portugal, como a maioria dos países da Europa meridional, é propenso a incêndios florestais nos meses secos do verão.

 

"Esta é uma região que tem incêndios por causa de suas florestas mas não nos lembramos de uma tragédia dessas proporções", disse o prefeito de Pedrógão Grande, Valdemar Alves. "Estou completamente atordoado com o número de mortes".

 

As autoridades disseram anteriormente que o calor de 40ºC nos últimos dias poderia ter contribuído para o incêndio, registrado a cerca de 150 quilômetros a nordeste de Lisboa. Aproximadamente 700 bombeiros trabalham para tentar apagar os incêndios desde sábado.

 

Um carro carbonizado após o incêndio em Pedrogao GrandeRafael Marchante/Reuters

 

 

Pessoas tentaram deixar carros

 

Uma enorme parede de fumaça grossa e chamas vermelhas brilhavam sobre a copa das árvores em uma área perto de algumas casas. Foram divulgadas imagens aterrorizantes de várias pessoas em uma estrada tentando escapar da fumaça intensa que reduziu a visibilidade a uma questão de alguns metros. Segundo as autoridades, ao menos 16 pessoas morreram quando seus veículos foram envolvidos por chamas numa estrada entre as cidades de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. Outras pessoas morreram por causa da inalação de fumaça em Figueiró dos Vinhos.

 

O primeiro-ministro português Antonio Costa disse que as equipes de combate a incêndios estavam tendo dificuldades em se aproximar da área porque o fogo era "muito intenso". Ele acrescentou que as autoridades portuguesas estavam trabalhando na identificação das vítimas e que socorristas espanhóis ajudariam nos esforços para controlar as chamas.

 

A Autoridade Nacional de Proteção Civil de Portugal, que coordena os esforços de combate a incêndios, emitiu uma advertência sobre o aumento do risco de incêndios florestais na sexta-feira. Citando as altas temperaturas, afirmou que fogueiras ao ar livre estavam proibidas.

 

Grande quantidade de fumaça é vista em estrada onde ocorreu o incêndioRafael Marchante/Reuters

 

Apoio

 

A União Europeia ativou seus esforços de proteção civil para ajudar Portugal a extinguir os incêndios. O Comissário da UE para Ajuda Humanitária e Gerenciamento de Crise, Christos Stylianides, expressou suas condolências pelas vítimas em uma declaração, dizendo que a "UE está totalmente pronta para ajudar". Ele disse que, em resposta a um pedido de ajuda de Portugal, Espanha e França estão enviando aeronaves para ajudar a combater as chamas. 

 

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, twittou que estava "comovido pela tragédia em Pedrógão Grande. Os portugueses podem contar com a nossa solidariedade, apoio e cuidado".