As pessoas não deixam os caminhões de lixo passar, diz venezuelana sobre crise humanitária no país

Atmosfera de instabilidade aumenta tensão e escassez na Venezuela

A situação e o clima de caos na Venezuela refletem no aumento da violência no país. A capital Caracas permaneceu em primeiro lugar no ranking das 50 cidades mais perigosas do mundo em 2016, feito pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal.

"Tenho muito medo de sair de casa porque é muito fácil ser atacado na rua. A onda agora é levar até as roupas e sapatos que você está vestindo", ressalta a técnica em turismo Sonia de Castro.

Além disso, a escassez de itens básicos como alimentos, papel higiênico e medicamentos assola o país.

"As pessoas não deixam os caminhões de lixo passar. Elas param os veículos para tentar encontrar comida no meio do lixo que os caminhões coletaram. São dezenas de pessoas: idosos de 60, 70 e 80 anos até crianças de um, dois anos", revela Sonia.

Parcialidade

Na última quarta-feira, três pessoas morreram na "mãe de todas as marchas" na capital, contra o governo de Nicolás Maduro, apontado pela maioria da população como o gerador da atual situação em que vive o país.

A técnica em turismo reclama da parcialidade da imprensa no país. "Aqui, a TV só traz os discursos de Maduro. Só conseguimos saber dos protestos pelas redes sociais".

Ouça a reportagem da BandNews FM:



Evasão da população

Segundo um levantamento feito pela Universidade central da Venezuela, a situação de crise já levou mais de 2 milhões de pessoas a abandonarem o país nos últimos 15 anos.

A queda no preço do petróleo foi uma das responsáveis por enfraquecer as contas do governo e, com isso, desvalorizou a moeda do país. Com a cotação atual, US$ 1 corresponde a 10 bolívares, o que dificulta a importação de produtos que, em sua maioria, o país não é capaz de produzir.

Além disso, somado ao fato de que, segundo Sonia, o governo deixou de entregar os passaportes aos cidadãos, a questão financeira também impede que mais venezuelanos tenha condições de irem para outros países.

Futuro pessimista

O número de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza na Venezuela já chega a 82% da população.

A previsão para o futuro continua pessimista. O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a inflação chegue a 2,5 mil %, alcançando a marca de maior índice do mundo.

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